Adilsinho queria se afastar de bicheiros e criar rede paralela de corrupção para crimes, diz PF

Apontado como o chefe de uma organização criminosa especializada no comércio ilegal de cigarros, Adilson Coutinho Oliveira Filho estaria insatisfeito com a cúpula do jogo do bicho no Rio e buscava aliados para que pudesse “estabelecer uma nova organização”. De acordo com as investigações da Polícia Federal, a indignação de Adilsinho viria da entrega de altos valores para a contravenção, uma vez que acreditava que pagamentos de propinas garantiria “o bom andamento dos negócios”. Ele está foragido desde a semana passada, quando foi deflagrada a Operação Smoke Free, que até o momento prendeu 17 pessoas, entre empresários, policiais e bombeiros.

Segundo a representação por medida cautelar de prisão preventiva, busca e apreensão e sequestro de bens da PF, ao qual O GLOBO teve acesso, para Adilsinho, a corrupção a agentes públicos garantiria ainda “a defesa dos territórios dos eventuais ataques por parte das organizações criminosas que comandam o tráfico de drogas e a ação miliciana no Rio”.

No inquérito, os agentes afirmam ainda ter ficado demonstrado a diversificação dos negócios do criminoso, que seriam “úteis para a mistura de lucros ilícitos na economia lícita” e fazem uma comparação com as máfias italianas. “Também foi possível observar que Adilsinho já está num nível superior à tradição dos bicheiros, pois já se aventura em negócios transnacionais”, escrevem.

“É tamanha a semelhança da organização criminosa liderada por Adilsinho com à tradicional máfia italiana que sua suntuosa festa de aniversário, realizada no Copacabana Palace em 14 de maio de 2021, teve como convite um vídeo em que se viam homens de terno escuro, num ambiente preto e branco, ao som de, senão da música tema do filme O Poderoso Chefão, uma releitura muito próxima que remete a este universo criminoso”, afirmam os agentes.

De acordo com as investigações, o evento foi organizado pela empresa ZC Entretenimento, de José Eduardo Neves Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que foi preso, pelo valor de R$ 3.403.827,79. A noite, marcada por episódios de ostentação e excentricidade, reuniu cerca de 500 convidados durante a pandemia e rendeu uma multa no valor de R$ 15.466,81 e interdição por dez dias ao hotel após a Vigilância Sanitária avaliar como "gravíssimas" as infrações das medidas de combate ao Covid-19.

“Seu desejo, sem dúvida, é se tornar o novo Capo di Tutti Capi. E, ao que parece, não levou seus planos adiante em razão da deflagração da Operação Fumus que o fez foragido da Justiça e que, por ora, o deixou numa posição de fragilidade já que não pode conduzir seus negócios como antes”, afirmam os investigadores, citando a ação deflagrada pela corporação e pelo Ministério Público estadual, em junho do ano passado.