OMS: vício em tabaco poderia impedir redução da pobreza na China

Pequim, 15 abr (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que o vício em tabaco na China poderia impedir que este país atinja seu objetivo de redução da pobreza traçado para o ano de 2020, informou neste sábado o jornal "South China Morning Post".

Segundo um relatório publicado pela organização e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na sexta-feira, "o dinheiro de muitas famílias pobres é desviado para a compra de tabaco em vez de ser usado para necessidades básicas como comida, educação e atendimento médico".

Berhard Schwartländer, representante da OMS na China, afirmou na apresentação do relatório que "o rápido aumento dos custos associados ao tabaco na China é insustentável" e que "o custo anual estimado em 2014 chegou a 350 milhões de iuanes (US$ 51 milhões)".

A OMS apontou que o Governo chinês pretende erradicar por completo as famílias pobres - aquelas cuja renda anual é inferior a 2.300 iuanes (cerca de US$ 330) - até o ano de 2020, com o fim de conseguir uma "sociedade moderadamente próspera".

O relatório revelou que os trabalhadores rurais são o grupo mais vulnerável ao tabaco na China: quando emigram para as cidades muitos se convertem em fumantes, mas sem acesso à saúde pública, o que faz com que se arruinem ao não poder pagar os tratamentos quando adoecem.

Por exemplo, quando um chefe de família morre por causas relacionadas ao tabaco em ambientes de pobreza, as famílias só se recuperam financeiramente passados dez anos, explicou a organização.

Embora o Governo chinês já tenha tomado algumas medidas para reduzir o consumo de tabaco, como a proibição de fumar em lugares públicos em cidades como Pequim e Xangai, segundo a OMS 44% dos cigarros fumados no mundo em 2014 foram no gigante asiático. EFE