Adolescente desaparece em São Paulo e PMs são suspeitos

ALFREDO HENRIQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O adolescente Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14 anos, desapareceu por volta da 0h10 desta quarta-feira (13) quando saiu para comprar um refrigerante em Santo André (ABC). Parentes do garoto acusam policiais militares pelo sumiço. A PM afastou dois agentes preventivamente enquanto o caso é apurado. 

Uma tia do menino afirmou que Lucas estava na sua casa, no Jardim Santa Cristina antes de desaparecer. O adolescente ia diariamente ao local para brincar com o primo de 12 anos. Por volta das 23h40, a parente falou para ele retornar para casa.

"Ele foi para casa, pediu um dinheirinho [ao irmão] para comprar um refrigerante e saiu de novo". O menino não foi mais visto depois disso, segundo ela. 

Lucas Eduardo Martins dos Santos, de 14 anos, desapareceu no início da madrugada desta quarta-feira (13) após sair para comprar refrigerante em Santo André (ABC).

O irmão do garoto, de 22 anos, afirmou à polícia que, por volta da 1h40, ouviu o barulho da polícia em frente à sua casa, onde vive com o Lucas e com a madrasta. 

Ela atendeu aos policiais que, segundo disse, perguntaram os nomes das pessoas que viviam na residência. Os PMs acabaram não entrando na casa e foram embora. Segundo boletim de ocorrência, a madrasta afirma ter ouvido alguém falar "eu moro nessa casa", pouco antes de abrir a porta.

Como Lucas não aparecia, parentes começaram a procurar por ele no bairro. Ainda durante a madrugada de quarta, eles encontraram um morador de rua que usava o moletom do jovem. Indagado pelos parentes do garoto, o andarilho afirmou ter achado a roupa perto da Escola Estadual Antônio Adib Chammas, que fica pouco menos de um quilômetro de distância da casa do jovem. "Quando fomos para atrás da escola, encontramos o boné do Lucas", afirmou a tia do garoto. 

Um boletim de desaparecimento foi registrado no 6º DP de Santo André. O caso, porém, foi encaminhado ao Setor de Homicídios da cidade. 

Protestos  Parentes de Lucas realizaram, ainda na quarta-feira, um protesto perto de onde o jovem foi visto pela última vez. Policiais militares estiveram no local e, segundo moradores da região, jogaram bombas de efeito moral para dispersar as pessoas. Questionada, a PM não confirmou.

Outro protesto foi organizado na tarde desta quinta-feira (14), na altura do número 500 da avenida São Bernardo, em Santo André (ABC). Familiares e amigos pediram uma resposta sobre o desaparecimento do garoto. 

Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos) compareceu ao segundo protesto. Segundo o advogado, o caso é "gravíssimo". "A PM de São Paulo e o governo do estado devem respostas à sociedade sobre o paradeiro do menino Lucas imediatamente", afirmou

Resposta  A SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), afirmou que todas as circunstâncias relacionadas ao desaparecimento do garoto são apuradas por meio de inquérito instaurado pelo Setor de Desaparecimento, pertencente ao Setor de Homicídios de Santo André. "As equipes da unidade policial realizam diligências para localizar o jovem", diz trecho de nota. 

A PM também instaurou um procedimento para apurar o caso e, preventivamente, afastou do serviço operacional dois agentes que foram apontados por testemunhas como supostos participantes da abordagem ao garoto. 

A Ouvidoria das polícias afirmou que instaurou um procedimento para acompanhar as apurações feitas pelas polícias Civil e Militar.