Adolescente morto no Chapadão é o 90º morto em ação policial com 14 anos ou menos desde 2007

Após a morte do adolescente Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos, baleado durante uma operação da polícia Rodoviária Federal no complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, na noite da última quinta-feira; subiu para 90 o número de crianças e adolescentes entre 0 e 14 mortos por violência no Rio desde 2007, quando a ONG Rio de Paz começou a contabilizar os casos.

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Antes de Lorenzo, o último caso envolvendo morte foi o da jovem Esther Vitória de Melo Pires, de apenas 5 anos de idade. Esther foi atingida por uma bala perdida no fim de julho na comunidade do Carvão, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio.

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Lorenzo Palhinhas morreu no Complexo do Chapadão, Zona Norte do Rio, durante uma operação da Polícia Rodoviária Federal na comunidade. Parentes do adolescente afirmam que o jovem trabalhava para ajudar na renda de casa. Segundo a família do jovem, após uma das últimas entregas que ele fazia para uma hamburgueria da comunidade, Lorenzo foi abordado, revistado e morto por agentes.

— O policial mandou ele voltar, abordou ele e revistou. Aí, quando ele saiu, foi alvejado. Levou um tiro na cabeça. Minha filha trabalha ali perto, viu meu neto no chão. Na mão, ele ainda tinha uma nota de R$ 10, que foi o troco — contou o avô do menino, Fernando Palhinhas, que estava no Instituto Médico-Legal (IML) na tarde desta sexta-feira.

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A mãe do menino, Celline Palhinhas, foi a primeira da família a saber da morte do filho. A ela, testemunhas disseram que Lorenzo passava pelo Beco da Suede, por volta das 23h, quando foi abordado por agentes e revistado. Ao ser liberado, o menino levou um tiro na cabeça.

Na manhã desta sexta-feira, a mãe de Lorenzo afirmou que o menino nunca teve envolvimento com o tráfico de drogas da região. De acordo com ela, o menino sempre foi trabalhador.

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— Meu filho nunca teve envolvimento, ele era trabalhador. Trabalhava tem muito tempo. Ele levou um tiro na cabeça, não foi bala perdida. Estava com mochila da entrega de hambúrguer, tudo direitinho. Ia voltar pra casa já. Cheguei lá e ele estava estirado no chão e com dinheiro da taxa na mão — disse.

Operação no Chapadão

De acordo com a PRF, equipes foram ao Complexo do Chapadão, na noite de quinta-feira, após informações de que os criminosos responsáveis pela morte do agente Bruno Vanzan fugiram para a comunidade. Ainda de acordo com a corporação, as equipes foram recebidas a tiros por cerca de 30 criminosos. Na operação, houve a apreensão de dois adolescentes.

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Em nota, a PRF diz ainda que dois dos adolescentes afirmaram pertencer ao tráfico de drogas da região. Eles também teriam dito que faziam um plantão do “comércio da boca de fumo”. Segundo a corporação, o jovem que morreu baleado estaria envolvido. Segundo a Polícia Civil, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) instaurou um inquérito para apurar o caso.

Perseguição a envolvidos

Após a morte do policial rodoviário Bruno Vanzan, nesta quinta-feira, equipes da PRF foram à comunidade da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio. Segundo a corporação, um dos veículos envolvidos na morte do agente era oriundo do local. O carro, modelo Kia Cerato, foi encontrado abandonado. Nenhum criminoso foi preso.

Informações do setor de inteligência e do Disque Denúncias, também indicaram que o segundo carro envolvido no ataque estava no Complexo do Chapadão. Na operação, a PRF apreendeu duas pistolas, um carregador de fuzil e entorpecentes.