Adolescente morto no Chapadão foi revistado por policial antes de ser baleado, diz avô

Parentes de Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos, morto no Complexo do Chapadão, Zona Norte do Rio, na noite desta quinta-feira, dia 27, afirmam que o jovem trabalhava para ajudar na renda de casa. Ainda de acordo com os familiares, após uma das últimas entregas que ele fazia para uma hamburgueria da comunidade, foi abordado, revistado e morto por agentes. Procurada, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) ainda não se pronunciou.

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— Policial mandou ele voltar, abordou ele e revistou. Aí, quando ele saiu, foi alvejado. Levou um tiro na cabeça. Minha filha trabalha ali perto, viu meu neto no chão. Na mão, ele ainda tinha uma nota de R$ 10, que foi o troco — contou o avô do menino, Fernando Palhinhas, que estava no Instituto Médico Legal (IML) na tarde desta sexta-feira.

Segundo ele, a mãe do menino, Celline Palhinhas, foi a primeira da família a saber da morte do filho. A ela, testemunhas disseram que Lorenzo passava pelo Beco da Suede, por volta das 23h, quando foi abordado por agentes e revistado. Ao ser liberado, o menino levou um tiro na cabeça.

— Ele fazia entrega já tinha alguns meses. Trabalhava para ajudar a mãe, ajudar em casa. E ele tinha um sonho de ter uma moto, queria guardar dinheiro pra um dia comprar. Interromperam o sonho do meu neto. Acabaram com o sonho dele, porque quem é de comunidade não pode sonhar. Quem mora em comunidade não pode sonhar por quê? — lamentou.

Na manhã desta sexta-feira, a mãe de Lorenzo afirmou que o menino nunca teve envolvimento com o tráfico de drogas da região. De acordo com ela, o menino sempre foi trabalhador.

— Meu filho nunca teve envolvimento, ele era trabalhador. Trabalhava tem muito tempo. Ele levou um tiro na cabeça, não foi bala perdida. Estava com mochila da entrega de hambúrguer, tudo direitinho. Ia voltar pra casa já. Cheguei lá e ele tava estirado no chão e com dinheiro da taxa na mão — disse.

Para Fernando, a lembrança que vai ficar de seu neto é o carinho:

— Falava o tempo todo ‘vovô, eu te amo muito’. É isso que vai ficar. Todos estão muito abalados. Era inocente. Ele não tinha maldade nenhuma, entendeu? Não tinha envolvimento com nada. Todo mundo lá da comunidade pode dizer isso.

Questionada sobre a dinâmica apresentada pela família, a Polícia Rodoviária Federal (PRF)ainda não se pronunciou.

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Operação no Chapadão

De acordo com a PRF, equipes foram ao Complexo do Chapadão, na noite de quinta-feira, após informações de que os criminosos responsáveis pela morte do agente Bruno Vanzan fugiram para a comunidade. Ainda de acordo com a corporação, as equipes foram recebidas a tiros por cerca de 30 criminosos. Na operação, houve a apreensão de dois adolescentes.

Em nota, a PRF diz ainda que dois dos adolescentes afirmaram pertencer ao tráfico de drogas da região. Eles também teriam dito que faziam um plantão do “comércio da boca de fumo”. Segundo a corporação, o jovem que morreu baleado estaria envolvido.

No entanto, moradores afirmam que o adolescente morto, identificado como Lorenzo Dias Palhinhas, trabalhava com entrega de lanches e voltava para a casa depois do último serviço. Ele passava pela via Beco da Suede, por volta das 23h, de acordo com a associação de moradores, quando foi atingido na cabeça. Segundo a Polícia Civil, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) instaurou um inquérito para apurar o caso.

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Perseguição a envolvidos

Após a morte do policial rodoviário Bruno Vanzan, nesta quinta-feira, equipes da PRF foram à comunidade da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio. Segundo a corporação, um dos veículos envolvidos na morte do agente era oriundo do local. O carro, modelo Kia Cerato, foi encontrado abandonado. Nenhum criminoso foi preso.

Informações do setor de inteligência e do Disque Denúncias, também indicaram que o segundo carro envolvido no ataque estava no Complexo do Chapadão. Na operação, a PRF apreendeu duas pistolas, um carregador de fuzil e entorpecentes.