Adolescente que matou aluna na BA é filho de policial e disse ter "nojo" de colegas

Adolescente que matou colega disseminava ódio nas redes sociais - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Adolescente que matou colega disseminava ódio nas redes sociais - Foto: Reprodução/Redes Sociais
  • Adolescente matou uma colega após invadir escola e disparar contra alunos

  • Jovem realizou postagens xenofóbicas e homofóbicas antes do crime

  • Ele dizia se sentir uma pessoa "superior" e fez ofensas aos colegas

O responsável pelo massacre que matou uma aluna de 20 anos em um colégio de Barreiras, na Bahia, é um adolescente de 14 anos recém-chegado à cidade e que disseminava ódio nas redes sociais.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, após contato com a Secretaria de Educação do município. No momento do crime, o jovem usava roupa preta, óculos escuros e, além do revólver disparou, portava duas armas brancas.

O adolescente, que não teve a identidade revelada, também estudava na escola cívico-militar Eurides Sant'Anna desde que se mudara para a cidade, há pouco tempo, vindo de Brasília.

Segundo a Secretaria, tratava-se de um aluno faltoso. Em publicações recentes nas redes sociais, ele explicou que tinha "nojo" de seus colegas, em um texto xenofóbico e homofóbico.

"Saí da capital do Brasil para o 'merdeste', e nunca pensei que aqui fosse tão repugnante. Lésbicas, gays e marginais aos montes acham que são dignos de me conhecer e de conhecer minha santidade. Os farei clamar pela minha misericórdia, sentirão a ira divina", escreveu.

"A cada dia que vou à escola, sinto-me subjugado, se misturar com eles é nojento, é estupidamente grotesco, sinto ânsia de vômito quando um deles me tocam (sic). Sou puro em essência, mereço mais que isso, sou sancto."

O trecho faz parte de um manifesto de 29 páginas escrito pelo estudante antes do crime. Nele, o rapaz narrou que sempre se sentiu como um "ser superior".

"Eu vivi com meu pai na maior parte da minha vida, pois meus pais eram separados e não tinham nenhum sentimento mútuo. Desde pequeno sentia-me superior aos demais, alimentava nojo e ódio de grupos do meu convívio, simplesmente não aceitava estar no mesmo lugar que eles, sentia que merecia mais, ou eles mereciam menos, o que importava era estar por cima."

Momentos antes do massacre, também por meio das redes sociais, ele chegou a postar um texto indicando que cometeria o crime, zombando da escola e admitindo a possibilidade de ser morto em meio ao episódio.

"Irá acontecer daqui 4 horas e eu estou bem de boa. Estou tão calmo, nem parece que irei aparecer em todos os jornais", escreveu. "E pensar que daqui a alguns dias estarei tendo meu rosto, olhos, pulmões e outras partes do corpo sendo devoradas por vermes."

Entenda o crime

O adolescente pulou o muro da escola na manhã desta segunda-feira (26) e disparou contra colegas. Um dos tiros acertou a jovem cadeirante Geane da Silva Brito, que não resistiu e morreu.

O criminoso também foi alvejado por uma pessoa não identificada durante o episódio. Ele foi socorrido e levado a um hospital da região, onde está internado em estado grave.