Pequena minoria católica do Egito espera papa Francisco com esperança

Francesca Cicardi.

Cairo, 28 abr (EFE).- A chegada do papa Francisco ao Egito gerou uma grande expectativa entre os católicos do país, que são uma diminuta minoria na terra do Nilo - 0,3% da população - e que alimentam uma grande esperança em relação à mensagem e ao apoio do pontífice.

Esta é a segunda visita de um papa ao Egito - João Paulo II lá esteve no ano 2000 - e ganha especial importância depois dos atentados do Domingo de Ramos contra dois templos da comunidade copta ortodoxa, nos quais morreram quase 50 pessoas.

"Estamos felizes por ter dado certo que venha nos visitar no Cairo neste momento, apesar dos acontecimentos. Tínhamos medo de que cancelasse a visita, mas no final virá e nos apoiará", afirmou Rafic Shehata, um homem de mais de 50 anos que pertence a uma das sete igrejas católicas do Egito.

Às portas do templo grego-católico de São Cirilo, no bairro de Heliópolis, no nordeste da capital, Shehata disse que o papa traz uma mensagem para todos os egípcios e árabes do Oriente Médio, e não somente para a minoria cristã.

Por sua vez, a também grega-católica Yosian Hakim, que foi batizada em São Cirilo e comparece todos os domingos à missa nesta pequena igreja onde os sinos ainda são tocados de forma manual, destaca que "significa muito" para os egípcios católicos que o papa compareça ao país.

"Está apoiando que este país é seguro e que está de alguma forma protegido por Jesus", acrescentou ele, explicando que a sagrada família buscou refúgio no Egito, também considerado por fiéis como "terra santa".

Nada Zeynoun, uma jovem católica maronita de origem libanesa, afirmou à Agência Efe que, além de enviar uma mensagem relativa à segurança, a visita do papa faz os 300 mil seguidores da igreja de Roma sentirem que não são "uma minoria".

Por sua vez, o porta-voz da assembleia que reúne as Igrejas Católicas do Egito, Rafic Greiche, declarou que o fato de que Francisco venha ao Egito é uma mensagem "muito forte" para os fiéis.

"O papa não é somente para as grandes comunidades, mas também para as minorias", destacou ele em uma entrevista à Efe em seu escritório, onde há fotos da visita de João Paulo II e do mais recente encontro do presidente Abdelfatah al Sisi com Francisco no Vaticano (novembro de 2014).

Dos mais de 90 milhões de egípcios, em sua maioria muçulmanos sunitas, os cristãos ortodoxos representam entre 10% e 14%, mas os católicos são somente 0,3%, segundo dados da Santa Sé. A grande maioria pertence à Igreja copta católica, originária do Egito, que conta atualmente com cerca de 220 mil fiéis.

Os demais procedem de comunidades católicas do Oriente Médio e do leste do Mediterrâneo - como os maronitas do Líbano, os caldeus do Iraque e os armênios -, assentadas no Egito há algumas gerações.

Cada igreja é independente, mas colaboram entre si em uma assembleia que reúne seus patriarcas e bispos, e obedecem a Roma, embora se diferenciem, entre outros aspectos, por seus curas podem casar-se se o desejam.

O pai Greiche destaca que, apesar de a Igreja Católica ser muito pequena no Egito, tem um grande número de instituições: mais de 170 escolas, assim como hospitais e clínicas, seminários, centros de formação e culturais, meios de comunicação, além de mosteiros e templos.

"É uma igreja pastoral, mas também missionária", explicou o representante, enquanto dá instruções por telefone para a seleção dos paroquianos que poderão participar da missa que Francisco oficiará no próximo sábado em um estádio do Cairo.

Nadine Imad, católica do rito latino de 25 anos, espera poder ver o papa pela primeira vez na vida.

"Os ortodoxos sempre têm seu papa, mas o católico está fora de nosso alcancs. Esta visita nos faz sentir que não está tão longe e que fazemos parte da comunidade (católica)", argumentou.

"É um passo muito importante que venha ao Egito depois dos atentados, e vai trazer uma mensagem muito clara de paz em todo o Oriente Médio", acrescentou, lembrando que os cristãos são especialmente perseguidos pelo grupo terrorista Estado Islâmico na Síria e no Iraque. EFE