Adriano: é cedo para dizer que caso foi queima de arquivo

Chico Otávio

Logo após a morte do ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega, o advogado Paulo Emílio Catta Preta, que atuava na defesa do miliciano, cobrou uma 'apuração rigorosa da operação na Bahia". Alegou que, dias antes, ouvira do próprio cliente a suspeita de queima de arquivo: “Doutor, ninguém está aqui para me prender. Eles querem me matar. Se me prenderem, vão matar na prisão”, teria dito Adriano. No mesmo instante, as redes sociais foram inundadas de teses e versões reforçando o argumento de Catta Preta.

De objetivo, sobre o período de fuga do ex-capitão Adriano, é possível afirmar que o advogado do miliciano foi recebido pelo menos três vezes pelo juiz e pelos promotores do caso (Operações Intocáveis) sem que, em qualquer um desses encontros, tenha relatado qualquer temor de que o cliente fosse assassinado por queima de arquivo ou por outro motivo qualquer. Catta Preta muito menos buscou combinar a apresentação do cliente ao Poder Judiciário ou ao Ministério Público.

Desde a Intocáveis, em janeiro de 2019, há 12 milicianos presos, além de dois acusados de executar a ex-vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Todos continuam vivos depois de ir para a prisão. Nenhum deles, durante todo esse tempo, manifestou o desejo de confessar ou de delatar quem quer que seja - vale lembrar que não faltaram oportunidades de negociar um acordo de delação em troca do abrandamento da pena. Por que com Adriano seria diferente?

As autoridades baianas, especialmente a perícia, devem explicações à sociedade sobre as circunstâncias do cerco e da morte do miliciano. Somente fatos comprovados podem jogar mais luzes sobre o episódio.