Advogada desaparecida em escola de Polícia no Equador é encontrada morta

Uma advogada que desapareceu em uma escola de formação de oficiais da Polícia do Equador foi encontrada morta nesta quarta-feira (21), informou o ministro do Interior, Patricio Carrillo, em meio a um alarme no país pelos crescentes feminicídios.

A "@PoliciaEcuador fez seu trabalho e encontrou María Belén. Lamento profundamente sua morte, um feminicídio que não ficará na impunidade", declarou Carrillo no Twitter.

A advogada María Belén Bernal desapareceu em 11 de setembro e seu corpo foi encontrado no morro Casitagua, a 5 km da escola, localizada nos arredores de Quito.

O presidente Guillermo Lasso confirmou por Twitter: "Com profunda dor e indignação, lamento informar que María Belén foi encontrada. Seu feminicídio não ficará impune e todos os responsáveis serão levados à justiça".

Lasso, que está nos Estados Unidos, expressou sua "solidariedade" à mãe da advogada, Elizabeth Otavalo, e seu filho pequeno.

Bernal, de 34 anos, desapareceu depois de entrar na Escola Superior de Polícia (ESP) para visitar o marido, o tenente Germán Cáceres, segundo denúncia da família da vítima.

Cáceres, instrutor dessa instituição, foi chamado para depor no Ministério Público dois dias após o desaparecimento e fugiu, motivo pelo qual a Polícia abriu um processo de demissão por ter faltado ao trabalho.

- "Peço perdão" -

O caso reacendeu as reivindicações de grupos sociais diante dos altos índices de violência de gênero no Equador, onde, segundo o MP, foram registrados pelo menos 573 feminicídios desde 2014.

Carrillo acrescentou que "encontraremos Cárceres onde ele estiver e vamos entregá-lo à justiça. Peço perdão e peço desculpas a Elizabeth Otavalo (mãe de Bernal) e seu neto".

Segundo a polícia, Cáceres é o principal suspeito. "Este é um crime hediondo que fere e envergonha a todos nós; é inaceitável que um policial tenha privado a vida de outra pessoa, quando o dever de todo policial é servir e proteger os cidadãos", acrescentou a instituição policial em comunicado.

De acordo com o relatório da Polícia, Bernal chegou na ESP em uma hora incomum para visitas, durante a madrugada de domingo, 11 de setembro.

"Estava trazendo comida (...) por isso o agente (de controle) autorizou a entrada", explicou o comandante da polícia, general Fausto Salinas, durante o processo de busca pela advogada.

Ele observou que civis "não podem entrar tarde (da noite), exceto nesses casos excepcionais".

Após o desaparecimento, Lasso ordenou a demissão do então diretor da ESP. O governo oferece uma recompensa de US$ 20.000 para localizar Cáceres.

- Um homicídio a cada 28 horas -

A Polícia apontou, por sua parte, que "não vamos descansar  enquanto não levarmos à justiça o seu assassino, enquanto se processa um processo disciplinar contra aqueles que, por ação ou omissão, não cumpriram o seu dever e permitiram que tal acontecesse".

O feminicídio no Equador pode ser punido com até 26 anos de prisão. Familiares da vítima e ativistas protestaram em frente à escola de polícia e ao Ministério Público devido ao alto índice de crimes desse tipo no país.

Geraldine Guerra, da Fundação Aldea que mapeia feminicídios no Equador, informou que até agora em 2022 houve 206 homicídios de mulheres.

“Este ano, no Equador, a cada 28 horas uma mulher foi assassinada devido à violência feminicida”, disse.

Estatísticas oficiais indicam que 65 em cada 100 mulheres entre 15 e 49 anos já sofreram alguma forma de violência no país.

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