Advogada de médicos da Prevent Senior diz que empresa gastou mais de R$ 5 milhões com 'kit Covid'

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SÃO PAULO — A empresa Prevent Senior investiu mais de R$ 5 milhões na compra de medicamentos do chamado "kit covid", conjunto de remédios sem eficácia comprovada contra o coronavírus. A informação foi dada pela advogada Bruna Morato, que prestou depoimento à CPI da Câmara Municipal de São Paulo nesta quinta-feira. Em nota, a Prevent Senior informou que irá processar a advogada Bruna Morato por denunciação caluniosa e outros crimes.

Aos vereadores, Bruna reiterou que a operadora de saúde submetia pacientes internados com Covid-19 à utilização de diversos medicamentos de forma experimental e que a empresa ocultou sete mortes de pessoas que tomaram hidroxicloroquina em estudo que foi suspenso pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) em abril do ano passado. Segundo ela, nenhum dos pacientes sabia da realização da pesquisa.

Ainda segundo Bruna, a Prevent Senior tinha, como política organizacional, a prática de retirar, dos leitos de UTI, pacientes que já estavam há muito tempo hospitalizados. A ação foi chamada por Bruna de "alta celestial" e teria o objetivo, segundo a advogada, de atender a "pacientes VIP". Um paciente que passou por isso chegou até a prestar depoimento na CPI da Covid no Senado.

Além da hidroxicloroquina, Bruna citou a aplicação de células-tronco e da chamada “terapia de nenopartículas” nos estudos da Prevent.

— Não se trata de uma experiência, mas de um conjunto de experiências. Ou seja, você submete a mesma pessoa a diversos protocolos experimentais de forma concomitante. Submete à aplicação de célula-tronco no pulmão, de hidroxicloroquina com azitromicina, de nanopartículas, de ozonioterapia. Foge do parâmetro razoável — disse a advogada, acrescentando que a operadora só tinha autorização para utilizar célula-tronco em casos de ortopedia.

A reportagem teve acesso aos documentos entregues por Bruna à CPI, nos quais constam os quantitativos e valores de medicamentos do kit adquiridos pela operadora. Em janeiro de 2020, por exemplo, a empresa adquiriu R$ 1,9 mil com itens como azitromicina, ivermectina, hidroxicloroquina e flutamida. Dois meses depois, o valor pulou para R$ 1,1 milhão.

A advogada relatou ainda que a empresa ocultou sete mortes de pessoas que tomaram a hidroxicloroquina em estudo sobre a eficácia do medicamento que foi suspenso pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) em abril do ano passado. Segundo ela, nenhum dos pacientes sabia da realização da pesquisa.

Bruna entregou nesta quinta-feira uma série de documentos aos vereadores da Câmara Municipal, entre eles as certidões de óbito e os prontuários desses pacientes, dos quais constam comorbidades que possuem contraindicação para o uso dos medicamentos do kit.

Sobre a prática de tirar pessoas internadas há muito tempo dos seus leitos, Bruna afirmou que isso ocorria de forma recorrente.

— Quando havia necessidade de girar leitos ou abrir vagas, a empresa deixava o paciente internado evoluir para óbito, ou seja, deixava morrer para abrir vaga para outro — contou ela, acrescentando que a prática é anterior à pandemia, mas se intensificou durante o período.

Em nota, a Prevent Senior informou que irá processar a advogada Bruna Morato por denunciação caluniosa e outros crimes. "A Prevent Senior tem total interesse que investigações técnicas, sem contornos políticos, sejam realizadas por autoridades como o Ministério Público. E repele o linchamento público do qual foi vítima junto com seus 3 mil médicos e cerca de 12 mil funcionários, sem direito à ampla defesa e ao contraditória", diz o texto.

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