Advogadas de Dayane Mello dizem que Record barra contato com modelo após suspeita de estupro

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SÃO PAULO — As advogadas Izabella Borges e Vanessa Tomaz, que fazem parte da equipe jurídica que atende a modelo Dayane Mello, participante do reality show a Fazenda, da Record TV, reclamam que a emissora não está permitindo comunicação com sua cliente após ela ter sido vítima de um suposto estupro.

Vanessa Tomaz afirma que tem insistido em conseguir que a Record permita contato com a participante, sem que ela seja eliminada do programa.

Procurada, a emissora não se manifestou até a publicação desta reportagem.

— Queremos entrar em contato com ela porque é direito de qualquer vítima ter assistência de advogado para ter conhecimento e discernimento sobre o que ocorreu, mas a Record nos impediu, alegando que se isso ocorresse, Dayane seria expulsa — disse a advogada, afirmando que no momento a prioridade é garantir a segurança de sua cliente.

Nego do Borel foi expulso do programa neste sábado depois da repercussão das imagens que mostram o cantor e a modelo sob o edredom. Nas imagens, Borel teria agido contra a vontade de Dayane, que estava embriagada. Pelo áudio da cena, é possível ouvi-la pedir para que o artista parasse o que estava fazendo, o que não teria sido atendido.

Segundo a colunista do Globo, Patricia Kogut, Nego do Borel terá que prestar depoimento à Polícia Civil em inquérito instaurado pela delegacia de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, onde o programa é gravado.

"O caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Itapecerica da Serra. A unidade analisa as imagens dos fatos e realizará a oitiva do suspeito. Outros detalhes serão preservados a fim de garantir a autonomia do trabalho policial", informou a assessoria da polícia em nota.

Outros advogados que integram a equipe de Dayane foram no sábado até a delegacia de Itapecerica da Serra para registrar um Boletim de Ocorrência de suposto estupro de vulnerável.

— Eu e Izabella Borges, em conjunto com a família da Dayane, estamos alinhando uma estratégia e definindo os próximos passos sobre o caso. No caso em questão, há estupro de vulnerável pelo fato de ela estar embriagada e sem estar em pleno juízo. É uma ação penal pública, cabe ao Ministério Público oferecer a denúncia contra o suspeito — afirmou Vanessa Tomaz ao GLOBO.

A advogada Izabella Borges também representa Duda Reis, influenciadora e ex-namorada de Nego do Borel que também move ações contra ele por violência doméstica. O cantor foi indiciado por lesão corporal e há um inquérito em andamento sobre o caso, disse Borges ao GLOBO.

Vanessa Tomaz ainda critica o modo pelo qual a edição do programa teria retratado o caso na edição do programa que foi ao ar ontem.

— Dayane continua abalada, é um trauma. A vítima não tem o conhecimento concreto do que aconteceu, ela disse em vários momentos que não se lembra (do ocorrido). É injusta a forma como o caso foi mostrado na televisão. A edição não teve respeito pela vítima, deixaram tudo de uma forma leviana. Isso pode desestimular mulheres que tenham passado por casos similares a denunciarem — salienta Vanessa.

Em nota, as advogadas afirmam ainda precisar "de apoio da opinião pública". Já a assessoria de imprensa da modelo afirmou, também em nota, que a edição do fato exibida pela Record é "triste e absurda".

"Apesar da expulsão do participante que colocou em risco a integridade física de Dayane, a edição optou por colocá-la como culpada do abuso sofrido. Segundo o programa, o resumo da noite da vítima foi correr atrás do homem que a violentou".

O documento afirma que o reality exibiu uma "narrativa distorcida dos fatos".

"Esconderam dos olhos do público as diversas vezes em que Dayane disse para parar, que não podia e não queria. Não mostraram as falas repugnantes do participante falando que precisava de concentração para (que) seu órgão íntimo estivesse rígido o suficiente para praticar atos sexuais", prossegue a nota.

A equipe de Nego do Borel se pronunciou pelas redes sociais do cantor sobre o fato, negando que o cantor haja cometido o crime.

"Lamentamos que assim como aqui fora o cantor tenha sido julgado desta forma dentro do reality, no qual em alguns poucos momentos conseguiu se divertir sem todos esse olhares e apontamentos que o cercam. E se comprime em junto com a sua equipe jurídica, provar mais uma vez toda a sua inocência", diz o texto.

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