Advogado é acusado de sequestrar idosa dona de imóveis no Rio

Carolina Heringer
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RIO — O advogado criminalista José Pinto Soares de Andrade, de 63 anos, é acusado de envolvimento no sequestro de uma mulher de 80 anos para realizar transferências e saques da conta bancária da vítima, além de planejar ficar com o dinheiro que a idosa recebia pelo aluguel dos seus imóveis. Soares foi preso pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) há uma semana. Ele foi denunciado pelo Ministério Público estadual do Rio com outras cinco mulheres pelo crime de extorsão qualificada. Todos tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz Paulo Jangutta, da 41ª Vara Criminal do Rio.

Nesta sexta-feira, agentes da DDPA prenderam uma das mulheres acusadas de fazerem parte do grupo, Michelle da Silva Simões. A vítima – Sônia Maria Pilar da Costa - está desaparecida desde outubro do ano passado. Desde então, o grupo conseguiu sacar e transferir de suas contas quase meio milhão de reais.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Sônia, conhecida por ser locadora de diversos imóveis na Zona Norte do Rio, não foi mais vista na vizinhança onde mora desde 19 de outubro. Logo em seguida ao seu desaparecimento, Soares enviou um comunicado aos inquilinos da idosa, informando-os de que os pagamentos dos aluguéis deveriam ser enviados a partir de então ao seu escritório de advocacia. O advogado alegou que a vítima tinha lhe dado plenos poderes para receber os valores.

Para justificar o desaparecimento de Sônia, Soares alegou que a vítima teria viajado para a casa de uma familiar, chamada Maria, que estaria muito abalada com a morte de seu gato de estimação. Segundo o MP, a narrativa é fantasiosa.

Após o desaparecimento, o grupo chegou a levar a própria vítima, dopada, para fazer saques em caixas eletrônicos. Em 30 de outubro, duas acusadas - Michelle da Silva Simões e Vanessa Nogueira da Silva – foram até uma agência bancária, com a vítima próximo ao estado vegetativo, e utilizaram suas digitais para sacar R$ 5 mil de sua conta bancária. Sônia foi levada até o local em uma cadeira de rodas. Imagens das câmeras de segurança da agência flagraram toda a ação. Na mesma data, em outra agência, foram retirados outros R$ 8 mil de uma conta da vítima.

A maior parte da quantia - R$ 430 mil - foi retirada das contas da vítima pela também denunciada Andréa Cristina da Silva. Ainda segundo a denúncia do MP, a acusada transferiu para contas de sua própria empresa o valor entre os dias 2 e 30 de dezembro. Para movimentar as contas, Andrea conseguiu uma procuração da vítima.

A denúncia do MP narra ainda que um das integrantes do grupo, Danielle Esteves de Pinho, tornou-se inquilina da vítima no ano passado com o intuito de se aproximar da idosa. Em julho do ano passado, a denunciada chegou a dopar a idosa quando esteve em sua residência para discutir uma dívida de R$ 12 mil que possuía com ela.

Procurado, o advogado Flávio Fernandes, que defende Soares, afirmou que no momento do contraditório apresentará as provas que comprovarão a inocência do réu.

- Vamos demonstrar que ele agiu apenas como advogado nesse caso - afirmou.

Além de Soares e Michelle, Andrea também está presa. Outras três denunciadas - Danielle, Vanessa e Diana Regina dos Santos estão foragidas.

Solto há dois meses

O advogado José Pinto Soares de Andrade e Andrea já respondem, juntos, a outro processo criminal na 5ª Vara Criminal do Rio no qual são acusados de estelionato e associação criminosa. Soares ainda responde por uso de documento falso.

O advogado foi preso em flagrante, em julho de 2019, quando estava em uma agência bancária tentando desbloquear um cartão bancário de uma idosa de 82 anos. Levado para a delegacia, Soares alegou que possuía uma declaração da vítima, que negou o fato. A idosa afirmou que sequer conhecia o advogado.

Segundo as investigações, o advogado e seus comparsas chegaram a conseguir retirar R$ 200 mil da conta da vítima. Quebras de sigilos bancários comprovaram que parte do valor - R$ 90 mil - foi transferido para a conta de Andrea.

Em fevereiro deste ano, Soares teve a prisão preventiva revogada pela Justiça no processo da 5ª Vara Criminal do Rio. Dois meses depois, foi preso novamente.

O advogado tem uma extensa ficha criminal com oito anotações. A primeira acusação contra Soares foi há 33 anos, quando ele foi preso por tráfico de drogas nos Estados Unidos.