Advogado da paciente de cirurgião preso por cárcere privado pede bloqueio de bens de hospital

A defesa da vendedora Daiane Chaves Cavalcante, de 35 anos, que teria sido mantida em cárcere privado por dois meses no Hospital Santa Branca, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, pelo cirurgião plástico equatoriano Bolívar Guerrero Silva, de 63 — e que ainda está internada na unidade em estado grave — pediu nesta terça-feira (19) no Fórum de Duque de Caxias o bloqueio parcial dos bens do Hospital Santa Branca para custear o tratamento da vítima em outro hospital particular. Os advogados do Hospital Santa Branca destacaram que “a unidade nunca praticou nenhum ato contra a saúde da paciente, ou qualquer ilegalidade”. A defesa do hospital explicou que “está interessada em resolver o problema”. O GLOBO não conseguiu localizar a defesa do médico.

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De acordo com a defesa da vendedora, os advogados da unidade de saúde teriam informado à juíza Elizabeth Maria Saad, da 5ª Vara Cível da Comarca de Duque de Caxias, que só haviam encontrado vaga no Hospital Adão Pereira Nunes, também em Caxias. O GLOBO obteve áudios que a vítima chora pedindo a seu advogado que seja retirada do hospital.

Na última semana, a Justiça do Rio havia determinado a transferência imediata de Daiane para outra unidade de saúde, o que não aconteceu até hoje. Na decisão, a juíza determinou uma multa de R$ 2 mil pelo descumprimento.

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— A decisão (de transferência) é da última sexta e até agora eles não cumpriram. Por conta disso, hoje (terça-feira, 19), eu pedi o bloqueio parcial dos bens desse hospital para o custeio do tratamento da Daiana. Pedimos que o tratamento seja feito na Rede D’Or. Então, a juíza me pediu a relação de três hospitais diferentes. Só queremos que o hospital custeie o tratamento dela. O bem maior, tutelado pelo Estado, é a vida; mais do que qualquer coisa. E nesse caso, a Daiane está entre a vida e a morte, essa é a minha maior preocupação — destaca Ornélio Mota Rocha, advogado da vendedora.

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Para o advogado, “o hospital e a defesa do médico tem levado a vida como algo irrelevante”.

— Eles estão agindo de uma forma ignorante. Mesmo eles sabendo que o hospital não tem condições, eles a mantém lá. Se fosse para sanar o problema, eles já teriam sanado. Ela está lá há dois meses. Agora, eles querem colocá-la em uma unidade pública que não terá condições de manter o tratamento. Hoje (ontem), descobri que a defesa dele protocolou uma petição que alegam que só encontraram vaga no Hospital Adão Pereira Nunes. Que essa foi a única unidade de saúde que eles acharam vaga. O que eles estão fazendo é uma retaliação a repercussão do caso — diz o advogado.

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Na pesquisa feita pela defesa de Daiane Chaves, 30 dias em um hospital particular – com todo o aparato para o tratamento, inclusive o CTI – sairia na média de R$ 360 mil.

— Eu falei com a juíza que com o bloqueio parcial dos bens dessa unidade de saúde, o hospital que receber a minha cliente vai ter a segurança de trata-la. Esse montante será para custear todo o tratamento — destaca.

Segundo a defesa, Daiane “está com o estado de saúde muito fragilizado e o emocional muito abalado”.

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'Por favor me tira daqui, esse homem vai me matar'

Mais de 30 horas após a juíza Elizabeth Maria Saad, da 5ª Vara Cível da Comarca de Duque de Caxias, determinar a transferência de Daiane, a ordem não havia sido cumprida pelo Hospital Santa Branca. Chorando, a vendedora enviou alguns áudios para o advogado pedindo socorro.

— Eu estou muito mal no hospital e o médico não está nem ai para mim. Eu só quero sair daqui. Eu não aguento mais, esse homem vai me matar — desabafa a mulher, que completa: — Eu já fui para a cirurgia três vezes e ele não sabe o que fazer. Por favor, tenta me tirar daqui. Eu não aguento mais.

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