Advogado de 'hacker' de Moro denuncia grampo ilegal e tortura psicológica na PF

Advogado afirmou que escuta foi localizada em cela de Walter Delgatti Neto (à dir.), suspeito de hackear Moro. (Foto: Reprodução)

O advogado de um dos suspeitos de ter hackeado conversas entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, e os membros da força-tarefa da Lava Jato, denunciou a existência de um grampo clandestino na cela onde o suspeito está preso, na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília.

Em entrevista ao site ConJur, o defensor público Igor Roque - que representa Danilo Marques, preso na cidade de Araraquara (SP) na primeira fase da operação ‘Spoofing’ - também acusa agentes da PF de praticarem “tortura psicológica” na prisão.

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O defensor revela que ficou sabendo do grampo clandestino no último dia 31, durante uma reunião entre Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, e o seu advogado. No encontro, o hacker contou ter encontrado uma escuta dentro do chuveiro instalado em sua cela, na Superintendência da PF.

“Conversamos com o delegado responsável pelo inquérito, Luiz Flávio Zampronha, que disse que não estava sabendo de nada relativo a nenhum grampo”, diz Roque, segundo o ConJur. O advogado afirma que não houve desdobramento até agora.

‘TORTURA PSICOLÓGICA’

Roque também denunciou a prática de tortura psicológica durante as audiências. “Quando eles vão ser ouvidos, agentes da PF perguntam se eles querem ficar presos para o resto da vida. Essa detenção tem sido marcada pela tortura psicológica”, alega o defensor, ao portal. “A gente quase pergunta para o agente da PF sobre que nome ele quer que os acusados falem. Porque o que tinha para ser falado já foi falado”, brinca.

Hackers foram presos na operação Spoofing, há cerca de 3 meses. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)

RELEMBRE O CASO

As mensagens trocadas pelo Sergio Moro e Deltan Dallagnol, atual coordenador da força-tarefa, indicam que o ministro, na época juiz federal, conduziu as investigações da Lava Jato. Moro sugeriu trocas de fases da Lava Jato e deu dicas informais a Dallagnol por mensagens do aplicativo Telegram. Os arquivos trazem históricos entre 2015 e 2017.

A Constituição de 1988 estipula que o juiz não pode ter vínculos com as partes do processo judicial. Com a parte acusadora, neste caso o MP, não deve haver troca de informações ou atuação fora das audiências.

A Lava Jato divulgou uma nota onde confirma ter sido hackeada. O comunicado, publicado na noite no domingo (9), explica que as mensagens trocadas pelo Sergio Moro e Deltan Dallagnol, atual coordenador da força-tarefa, publicadas pelo site Intercept, são frutos de uma atividade criminosa. O teor das conversas indica que o ministro, na época juiz federal, conduziu as investigações.