Defesa insiste na inocência de eurodeputada grega

O advogado da eurodeputada grega Eva Kaili diz que a primeira coisa que a ex-vice presidente do Parlamento Europeu fez, quando rebentou o escândalo de corrupção, foi ligar para a polícia belga. E diz que esta é a maior prova da sua inocência. Em entrevista à Euronews, Michalis Dimitrakopoulos conta a sua versão da história.

"Esta é uma prova séria de que a primeira coisa que ela fez foi tentar falar com a polícia. Isto significa que ela não sabia que havia algo ilegal na sua casa, caso contrário ela não teria chamado a polícia. Mas não foi possível porque a polícia não falava inglês", afirma Dimitrakopoulos.

Segundo o advogado, Kaili só soube da existência do dinheiro pelos jornais. Decidiu então telefonar aos colegas mais próximos do companheiro, agora também acusados de corrupção, para se livrar dos 150 mil euros que finalmente terão sido encontrados no seu apartamento e numa mala transportada pelo pai da ex-vice-presidente.

Ela também nega ter sido subornada pelo Qatar e afirma que as suas decisões políticas foram em linha com as decisões europeias. "A União Europeia precisava de gás. A senhora Kaili não ofereceu nenhum serviço ao Qatar em troca de um suborno. A primeira e única votação em que a senhora Kaili participou foi relativa ao direito dos cidadãos do Qatar de entrarem na União Europeia sem visto. Foi uma maioria que, com 70% contra 30%, votou pelo Qatar. Portanto, o voto da senhora deputada Kaili não teve qualquer valor".

Na próxima semana, Eva Kaili vai novamente a tribunal, que vai decidir a sua continuidade ou não na prisão de Haren. Perguntamos ao seu advogado qual será o argumento utilizado para pedir a sua liberdade condicional.

O juiz disse não ter provas para justificar a acusação de suborno, mas que provas podem ser encontradas no futuro. Não é compatível com o Estado de Direito, o Estado de Direito europeu manter alguém na prisão com a perspetiva de encontrar provas no futuro. É juridicamente errado. Espero que não haja influência política nesta decisão.

O advogado explicou que o único momento de alegria de Eva Kaili desde a detenção foi quando finalmente pôde receber a visita da filha de 2 anos.