Advogado de Lula diz que Tribunal usou argumentos políticos em julgamento

Sérgio Roxo e

SÃO PAULO. O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de condenar o petista baseado em argumentos políticos ao julgar nesta quarta-feira o recurso no caso do sítio de Atibaia.

- Nós vimos argumentos políticos sendo apresentados ao invés de argumentos jurídicos. A questão do direito ficou desprezada - afirmou o advogado.

Martins disse ainda que a condenação deveria ser anulada por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considera que os réus devem apresentar as suas alegações finais depois dos delatores.

- O caso que foi julgado é exatamente idêntico aos dois casos já analisados pelo Supremo. Não há nada que justifique um tribunal de apelação tomar uma decisão que não se coaduna com a Suprema Corte.

O advogado ainda se queixou da celeridade com que o caso de Lula foi levado a julgamento pela Corte. Ele disse que quando a ação subiu para o TRF-4 havia outros 1.921 "recursos idênticos" aguardando para serem apreciados.

- A primeira questão é se esses outros recursos já foram julgados?

Martins argumenta que os desembargadores não abordaram qual o procedimento que teria sido realizado em troca das benfeitorias realizadas pelas empreiteiras no sítio de Atibaia.

- Mais uma vez se recorreu à prática de atos indeterminados.

Por fim, o advogado lembrou que em outubro o Ministério Público Federal (MPF) havia pedido a anulação parcial da sentença de primeira instância e às vésperas do julgamento mudou de posição e defendeu a condenação.

- Menos de um mês depois apresentou uma posição totalmente contrária. O que terá movido uma mudança tão radical?