Advogado nega ser sócio oculto da empresa garantidora da compra da Covaxin

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BRASILIA, DF,  BRASIL,  14-09-2021, CPI DA COVID. O advogado Marcos Tolentino, ligado ao caso da tentativa de aquisição de vacinas pelo ministério da saúde junto à Precisa Medicamentos, durante depoimento aos senadores da comissão que investiga os atos do governo . (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASILIA, DF, BRASIL, 14-09-2021, CPI DA COVID. O advogado Marcos Tolentino, ligado ao caso da tentativa de aquisição de vacinas pelo ministério da saúde junto à Precisa Medicamentos, durante depoimento aos senadores da comissão que investiga os atos do governo . (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O advogado e empresário Marcos Tolentino negou em depoimento à CPI que seja sócio oculto do FIB Bank, empresa que ofereceu a garantia para a Precisa Medicamentos para a venda da vacina indiana Covaxin ao Ministério da Saúde.

"Não possuo qualquer participação na sociedade, não sou sócio da empresa", afirmou Tolentino, que prestou juramente de dizer a verdade antes de sua fala e compareceu para a oitiva acompanhado de médicos, por se recuperar de sequelas da Covid-19.

Tolentino disse que foi no passado sócio de Ederson Benetti, já falecido. Em seguida, prestou serviços advocatícios ao seu filho, Ricardo Benetti, e para as empresas que administra. Uma delas, a Pico do Juazeiro, é acionista do FIB Bank, que deu a garantia para a vacina Covaxin.

Afirmou na sequência que essa prestação de serviços justifica a proximidade de seu escritório e da empresa, como estarem localizadas em um mesmo prédio comercial ou seu telefone, informado em cartão comercial, ser exatamente o mesmo da empresa.

O advogado também negou ter participado da intermediação de negócios da Precisa Medicamentos. Disse que estava durante esse período internado, em estado grave, infectado pela Covid-19.

"Me encontrava internado na UTI no Sírio Libanês, em razão de severo quadro de Covid-19. Fui entubado", disse.

Tolentino também negou ter participado de jantar com representantes da empresa e com a participação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

ENCONTROS COM BOLSONARO

O advogado e empresário Marcos Tolentino afirmou em seu depoimento que conhece o presidente Jair Bolsonaro, mas que não possui vínculos de amizade.

"Conheço o presidente, desde o período em que era deputado federal, mas não possuo nenhuma amizade pessoal ou qualquer outro tipo de relacionamento", afirmou.

"Estive com ele em alguns encontros, meramente casuais", afirmou o empresário, citando como exemplo o evento do marco regulatório das televisões.

Sobre a relação com o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), Tolentino disse que o conhece há muitos anos e que mantém uma relação apenas de amizade e respeito.

Tolentino também se desculpou e disse que não se tratava de provocação o fato de ter acompanhado Barros em seu depoimento à CPI da Covid, em agosto.

Tolentino disse ainda que conhece filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de "eventos políticos e sociais". E completou que não conhece Jair Renan Bolsonaro.

O advogado não citou em sua explicação o outro filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos).

FIB BANK

O advogado Marcos Tolentino afirmou que se desligou há 12 anos da empresa acionista do FIB Bank, que deu a garantia para o negócio envolvendo a compra da vacina Covaxin. No entanto, disse que dessa empresa que mantinha sociedade "derivaram muitos negócios" e que por isso ainda mantém empresas em comum com o grupo.

Tolentino disse que era sócio de Ederson Benetti, que já é falecido. Disse que se tornou sócio de Benetti na empresa Benetti Prestadora de Serviços, de Curitiba, mas que se desligou há mais de uma década.

"Dessa empresa da qual eu fazia parte, derivaram muitos negócios, direitos, bens, outras empresas, algumas que têm inclusive o nome Benetti como parte de sua razão social. E, mesmo com o falecimento do doutor Ederson Benetti, em um acordo com seu filho e herdeiro, Ricardo Benetti, algumas dessas empresas permaneceram de minha propriedade e outras foram a ele transferidas, a fim de fazer jus a seus direitos hereditários", afirmou em seu depoimento.

"Ocorre que, como citado na imprensa, a empresa citada no início dessa explicação foi transferida, empresa essa que sob sua propriedade constitui outra empresa chamada Pico do Juazeiro, que, posteriormente, no ano de 2016, tornou-se sócia da empresa FIB Bens e Garantias Fidejussórias", completou.

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