Advogado de NY se desculpa por insultar hispânicos

"Às pessoas que insultei, peço desculpas", disse Aaron Schlossberg, de 44 anos, em um tuíte. "Me ver na Internet me abriu os olhos. A forma como me expressei é inaceitável".

O advogado de Nova York que insultou dois funcionários por falarem em espanhol em um restaurante e cujo vídeo viralizou na semana passada se desculpou publicamente nesta terça-feira (22), assegurando que seu comportamento foi "inaceitável".

"Às pessoas que insultei, peço desculpas", disse Aaron Schlossberg, de 44 anos, em um tuíte. "Me ver na Internet me abriu os olhos. A forma como me expressei é inaceitável e essa não é a pessoa que sou".

"Embora as pessoas possam se expressar livremente, devem fazê-lo de forma tranquila e respeitosa", apontou.

Mas o pedido de desculpas não agradou os defensores dos imigrantes hispânicos.

"Boa tentativa, mas uma desculpa uma semana depois está longe de ser adequada", disse à AFP Lisa Navarrete, porta-voz da organização UnidosUS, com sede em Washington.

"Se esse não foi o 'verdadeiro' ele, talvez ele queira investigar quem foi o fanático que esteve se fazendo passar por ele durante os últimos anos em vários outros vídeos".

Na semana passada, foi divulgado um vídeo que mostra Schlossberg no restaurante Fresh Kitchen, da Madison Avenue, gritando com dois funcionários por falarem em espanhol entre si e ameaçando-os de ligar para o escritório de migração. O vídeo de quase um minuto já teve seis milhões de cliques.

Neste é possível ver o advogado gritando enfurecido com o gerente do estabelecimento: "Sua equipe está falando em espanhol com os clientes quando deveriam falar em inglês (...) Aqui são os Estados Unidos! (...) Eu pago o seu seguro social, eu pago para que possam estar aqui"!

Pouco depois, nas redes sociais apareceram outros vídeos nos quais um homem identificado pela imprensa local como Schlossberg faz outros comentários racistas. Em um deles, ele segura um homem branco na rua e diz: "De que país você é? Eu sou estrangeiro, você não (...) Você é um estrangeiro fodido e feio, então vá à merda".

Em Nova York, com 8,5 milhões de habitantes e uma das cidades com mais diversidade do mundo, 27,5% da população é latina. O espanhol é ouvido nas ruas e em estabelecimentos de forma constante.

Após o escândalo gerado na semana passada, o congressista americano Adriano Espaillat e o presidente do distrito do Bronx, Ruben Díaz Jr., o primeiro nascido na República Dominicana e o segundo de origem porto-riquenha, apresentaram uma queixa disciplinar contra o advogado ao sistema judicial por "sua conduta racista e repreensível".

Queremos "que sua habilitação para advogar seja analisada para uma possível revogação", declarou Díaz.

Schlossberg - que em seu site diz falar espanhol fluentemente - também perdeu o contrato que lhe permitia alugar um local de trabalho na Corporate Suites, na Madison Avenue, informou o New York Post.

Desde a eleição de Donald Trump em 2016, as denúncias de crimes de ódio ou episódios de discriminação por raça, religião e orientação sexual aumentaram de forma acentuada, de acordo com a Prefeitura.