Advogados de Trump se opõem a pedido do Departamento de Justiça sobre documentos confidenciais

Ex-presidente dos EUA Donald Trump

Por Sarah N. Lynch

WASHINGTON (Reuters) - Os advogados do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump se opuseram nesta segunda-feira ao pedido do Departamento de Justiça para continuar examinando o conteúdo de documentos confidenciais apreendidos pelo FBI em sua propriedade na Flórida no mês passado em uma investigação criminal em andamento.

Em um documento destinado à corte, seus advogados também pediram à juíza distrital Aileen Cannon para incluir os cerca de 100 documentos marcados como confidenciais que estavam entre os mais de 11 mil registros recuperados na busca de 8 de agosto aprovada pelo tribunal em uma próxima revisão do material por um árbitro independente, chamado de perito especial.

Em outro desdobramento, o Departamento de Justiça indiciou uma mulher do Texas que os promotores acusaram de fazer ameaças por telefone contra Cannon, incluindo dizer que a juíza estava "marcado para assassinato". O incidente marca o mais recente exemplo de ameaças relatadas contra várias autoridades federais nos últimos meses.

Trump está sob investigação do Departamento de Justiça por reter registros do governo, alguns dos quais foram marcados como altamente confidenciais, incluindo "ultrasecretos", em sua propriedade de Mar-a-Lago em Palm Beach depois de deixar o cargo em janeiro de 2021. O departamento também está examinando possível obstrução da busca.

O perito especial, que ainda não foi nomeado, pode impedir o departamento de usar determinados documentos. Agentes do FBI recuperaram os registros durante uma busca aprovada pelo tribunal em 8 de agosto.

Cannon bloqueou anteriormente o departamento de usar imediatamente os registros apreendidos na investigação, uma medida que retardará o trabalho dos promotores e tornará mais difícil para eles determinar se materiais confidenciais adicionais podem estar faltando.

Os advogados de Trump no documento registrado nesta segunda-feira disseram que o ex-presidente contesta a alegação do departamento de que os cerca de 100 documentos em questão são de fato confidenciais, e lembraram a Cannon que um presidente geralmente tem amplos poderes para desclassificar registros. Eles não chegaram a sugerir que Trump havia desclassificado os documentos, uma alegação que ele fez nas mídias sociais, mas não em documentos judiciais.

(Reportagem de Sarah N. Lynch e Doina Chiacu)