Aécio Neves: de futuro presidente do Brasil a foto cortada com aliados

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Eduardo Leite, Aécio Neves e Paulinho da Força se reuniram na noite de segunda-feira (18) (Foto: Reprodução)
Eduardo Leite, Aécio Neves e Paulinho da Força se reuniram na noite de segunda-feira (18) (Foto: Reprodução)

Em 15 de abril de 2015, lancei uma aposta num artigo aqui no Yahoo: se Aécio Neves seguisse cozinhando em fogo quente, se queimaria antes de 2018.

O fogo quente era o flerte do candidato derrotado em 2014 com a ideia de que poderia encurtar o caminho até o Planalto se associando, às vezes desfilando nas manifestações de apelos extremistas, com as figuras mais radicais de Brasília num processo de impeachment que deixou rastros de ódio e feridas purulentas até hoje.

Sob seu comando, o PSDB foi o primeiro a contestar a vitória de Dilma Rousseff nas urnas. Só para “encher o saco do PT”, segundo o hoje deputado. A oposição parecia não ter aprendido nada com Carlos Lacerda.

Parte dos tucanos foi na onda e já na época era possível prever que não se davam conta de que, ao avançar em direção ao radicalismo, não encontrariam terreno vago, mas uma terra arrasada pelas figuras-tampão que emergiram do impeachment. Michel Temer e Eduardo Cunha confirmaram a previsão.

O bom senso à época dizia ser loucura acender um rastilho e estimular a insanidade em um país onde um deputado dizia a uma colega de bancada que não a estupraria porque ela não merece. Ou que defendia em voz alta o fuzilamento de presidentes. E que, enquanto Aécio era expulso dos protestos mais radicalizados da avenida Paulista, já era recebido como mito pela turba disposta a ir para as ruas pedir intervenção militar e outras sandices.

Aécio preferiu falar a mesma linguagem da turma. Acabou sendo engolido por ela.

O ex-governador mineiro recebeu 51 milhões de votos nas eleições de 2014. Dilma teve três milhões de votos a mais.

O desgaste dos primeiros meses do novo governo, quando chegou a fatura das ingerências como o de ter segurado o preço da gasolina, transformou o presidenciável derrotado no grande vencedor do pleito.

Aécio era o favorito para 2018.

“Faremos uma oposição incansável, inquebrantável e intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, cobrar, denunciar”, disse ele em sua volta ao Senado.

Em maio de 2017, veio a público um áudio em que o então senador pedia R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS, para bancar a sua defesa na Lava Jato. A figura que ajudou a alimentar mostrava os dentes para ele.

O “futuro presidente do Brasil” seria inocentado cinco anos depois, mas nunca mais conseguiu levantar do tombo. Em 2018, quando seria consagrado, ele se elegeu deputado e não demorou a se acostumar com o breu das articulações de bastidores, longe de grandes exposições e da luz do sol.

O ex-juiz com quem trocava gentileza em eventos públicos não foi trabalhar para ele ao fim da campanha, mas para Jair Bolsonaro. O melhor surfista do tsunami extremista que Aécio ajudou a provocar ao cavar a cova alheia em terra firme.

Desafeto de João Doria, neotucano alçado agora a presidenciável do partido, Aécio tem se movimentado agora para viabilizar a candidatura do ex-governador gaúcho Eduardo Leite ao Planalto.

As articulações envolvem encontros com figuras que, a essa altura, já fazem a cotação de seu apoio. Um deles é Paulinho da Força, líder do Solidariedade.

Leite tentou faturar o apoio mostrando o sucesso do encontro com o possível apoiador. O zelo com a imagem o levou a cortar da foto o terceiro elemento à mesa: o ex-futuro presidente do Brasil.

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