Governo sírio aceita discutir todos os temas em negociações de paz

Genebra, 24 mar (EFE).- O governo da Síria se comprometeu em abordar os quatro temas que estão na agenda das negociações sírias de paz, incluindo a transição política, que para a oposição envolve a saída do presidente da Síria, Bashar al Assad.

"Embora o governo tenha se centrado hoje no aspecto da segurança (luta contra o terrorismo), ele aceitou, como indicam as entrevistas dadas pelo embaixador (Bashar) Jaafari e pelo presidente Al-Assad, que todos os temas serão abordados pelo governo nos próximos dias. Demos a oportunidade de as delegações escolherem o tema que querem discutir primeiro, mas todos terão que ser abordados", disse o mediador da Organização das Nações Unidas (ONU), Staffan de Mistura.

Nesta sexta-feira, ele abriu a quinta rodada de negociações de paz para a Síria, com reuniões feitas separadamente com as delegações do governo e da oposição.

Em um comparecimento perante a imprensa ao fim do dia, Mistura sustentou que, apesar da nova escalada de violência na Síria, nenhuma das partes envolvidas ameaçou não ir à Suíça para estas negociações ou se retirar delas. Nos últimos dias, grupos rebeldes sírios se uniram a formações jihadistas para empreender ofensivas contra as forças governamentais nos arredores de Damasco e na província central de Hama.

O mediador reconheceu que o ideal seria que a calma reinasse no país, enquanto os aspectos políticos indispensáveis para pôr fim à guerra civil na Síria são discutidos em Genebra. No entanto, lembrou que frequentemente ocorre que em situações de conflito as discussões políticas se desenvolvem ao mesmo tempo em que os combates.

Em vista desses últimos eventos, Mistura pediu à Rússia, Irã e Turquia, fiadores do último acordo de cessar-fogo na Síria, que controlem o ressurgimento da violência armada.

"Esperamos que os fiadores retomem a situação em suas mãos para controlar a questão, que atualmente é muito preocupante", disse.

Ele indicou que espera que os três países convoquem em breve o governo e grupos armados para uma nova reunião em Astana (Cazaquistão), onde o aspecto militar da crise síria é negociado. EFE

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