Macron pede revisão de controle de suspeitos de radicalização após atentado

Paris, 24 mar (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou neste sábado que vai convocar grupos responsáveis pelo acompanhamento de suspeitos de radicalização terrorista para sugerir uma revisão dos procedimentos após o atentado de ontem.

Em comunicado divulgado hoje pelo Palácio do Eliseu, Macron pediu aos prefeitos regionais para convocar, em cada departamento, os grupos de avaliação dos indivíduos fichados por radicalização.

Macron voltou a afirmar que a investigação sobre o caso de ontem, quando um homem fez reféns em um supermercado e matou quatro pessoas, deve esclarecer eventuais vínculos do autor com o grupo terrorista Estado Islâmico, que reivindicou a autoria do ataque.

O presidente também quer descobrir se o homem, identificado como Redouane Lakdim, teve ajuda para realizar o ataque.

O Ministro do Interior da França, Gérard Collomb, e o promotor de Paris, François Molins, responsável pela investigação, reconheceram ontem que Ladkim, com antecedentes por crimes comuns, tinha sido alvo de vigilância, primeiro em 2014 e depois em 2016 e 2017.

No entanto, os serviços secretos não detectaram sinais de que Ladkim, morto ontem, fosse cometer uma ação terrorista.

O jornal "Le Monde" afirma hoje que as autoridades investigam, em particular, a relação de Lakdim com Malik M., um criminoso de maior envergadura, morador do mesmo bairro, e suspeito de traficar armas.

Há cerca de 20 mil pessoas no arquivo de potenciais radicais, um número impossível de ser acompanhado pelos serviços secretos. Atualmente, eles acompanham cerca de 11 mil suspeitos.

O terrorista feriu 15 pessoas e matou quatro. O tenente-coronel da Grupo de Intervenção da Gendarmaria Nacional (GIGN) Arnaud Beltrame não resistiu aos ferimentos e morreu hoje. Ele tinha se trocado para libertar os reféns e acabou baleado por Lakdim.

Considerado como "herói" por Macron por ter dado a vida para proteger os cidadãos, Beltrame será homenageado em uma cerimônia da presidência, de acordo com o Palácio do Eliseu. EFE