Afeganistão: por que Boris Johnson deve pressionar Joe Biden a atrasar saída

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, deve pedir ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que mantenha as forças americanas no Afeganistão após 31 de agosto para permitir a continuidade dos voos de evacuação.

Boris Johnson pretende fazer o pedido em uma reunião de emergência de líderes mundiais dos países do G7 nesta terça-feira (24/8).

Milhares de pessoas estão aglomeradas do lado de fora do aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, desesperadas para deixar o território depois que o Talebã tomou o poder.

Os Estados Unidos pretendem retirar todas as tropas até o fim do mês. Biden disse que discussões estão ocorrendo sobre a extensão do prazo, mas afirmou: "nossa esperança é que não tenhamos de fazer isso".

Ele disse que as tropas americanas expandiram o perímetro ao redor do Aeroporto Internacional Hamid Karzai como parte dos esforços para acelerar o trabalho de evacuação, e que o Talebã cooperou com a mudança.

Embora funcionários do governo do Reino Unido tenham dito que "não há data fixa" para a retirada do Reino Unido, teme-se que, sem as tropas dos EUA no terreno, as forças aliadas restantes não serão capazes de proteger a área.

Afegãos esperando para deixar o aeroporto de Cabul em 16 de agosto de 2021
Afegãos foram correndo para o aeroporto de Cabul na segunda-feira (16/8) na esperança de deixar o país

O Reino Unido tem mais de mil militares das Forças Armadas atuando em Cabul.

As negociações entre os países do G7, grupo que atualmente é liderado pelo Reino Unido, ocorrerão virtualmente e é esperado que o foco principal esteja no futuro de longo prazo do Afeganistão.

Mas a evacuação em curso também será discutida.

Pelo menos 20 pessoas morreram fora do aeroporto, segundo disse um funcionário da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à agência de notícias Reuters, e há relatos de que algumas pessoas chegaram a morrer esmagadas.

O Reino Unido também está avaliando como hubs poderiam ser instalados em países que fazem fronteira com o Afeganistão para ajudar aqueles que trabalharam para as forças britânicas a chegar ao Reino Unido assim que os voos de Cabul não forem mais possíveis.

Johnson disse que é "vital que a comunidade internacional trabalhe em conjunto para garantir evacuações seguras, prevenir uma crise humana e apoiar o povo afegão para proteger os ganhos dos últimos 20 anos".

O ministro britânico das Relações Exteriores, James Cleverly, disse à BBC que o governo continuaria pressionando os EUA para estender o prazo de saída.

"Obviamente, quanto mais tempo tivermos, mais pessoas podemos evacuar e é isso que estamos buscando", disse Cleverly.

O embaixador britânico no Afeganistão, Laurie Bristow, disse que os esforços do Reino Unido para evacuar os britânicos e afegãos elegíveis estão ganhando força, com quase 6 mil pessoas embarcando em voos britânicos desde 13 de agosto.

Os EUA disseram que aviões comerciais serão usados ​​para ajudar na evacuação de pessoas do Afeganistão.

Análise de Chris Mason, repórter de política da BBC

Atropelados pela velocidade da captura do Afeganistão pelo Talebã há uma semana, as potências ocidentais têm lutado para salvar o que puderem desde então. Mas as limitações disso são óbvias e todos podem ver.

Desde que o Talebã tomou Cabul, tem havido uma onda de diplomacia - chamadas telefônicas e videoconferências.

Os ministros do governo do Reino Unido são francos sobre a situação em que se encontram - eles não estão no controle.

Eles querem que o presidente Biden mantenha suas tropas em Cabul um pouco mais - a cada dia a mais, outras centenas podem ser evacuadas por ar.

Mas há um tempo curto e alguns ficarão de fora. É por isso que o governo também está avaliando a instalação de hubs em países vizinhos, para ajudar os afegãos a chegar ao Reino Unido, uma vez que o aeroporto na capital afegã não será mais útil.

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