Afirmação de advogada de Flávio Bolsonaro confronta nota da Abin

O Globo
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BRASÍLIA — A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informou que uma sindicância interna demonstrou que o órgão não teve "qualquer ligação" com relatórios produzidos para auxiliar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na investigação sobre um suposto esquema de desvio de salários. Entretanto, uma das advogadas do senador disse que foi o diretor-geral da agência, Alexandre Ramagem, que encaminhou os documentos para Flávio.

A afirmação de Luciana Pires, uma das advogadas de Flávio no caso das "rachadinhas", foi feita ao colunista Guilherme Amado, da revista Época. Segundo a advogada, vieram da Abin os dois relatórios e a recomendação para que a defesa protocolasse uma petição na Receita Federal solicitando formalmente documentos que embasassem a suspeita de que o senador foi alvo de uma ação ilegal por servidores do Fisco.

— Nenhuma orientação do Ramagem o Flávio seguiu ou me pediu para seguir. Eu não tenho contato nenhum com o Ramagem. Ele ia ajudar em quê? Ele não tem a menor ideia do que está acontecendo lá dentro (da Receita), eu tenho mais informação do que ele. Ele sugeriu esse monte de ação que ninguém seguiu nada — afirmou Luciana Pires, em entrevista gravada à coluna, no ano passado.

Em nota divulgada na noite de terça-feira, a Abin afirmou que a investigação interna "assegura que nenhum servidor da Agência produziu, teve acesso ou consultou informações relacionadas aos supostos relatórios". A agência disse possuir "registros de toda e qualquer atividade executada em suas redes" e afirmou que "toda a cadeia de produção de Inteligência foi auditada".

A Abin também informou que, na mesma sindicância, descobriu indícios de que um servidor teria passado informações sigilosas para a imprensa. A agência disse que na terça-feira a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão, determinados pela Justiça, na casa do servidor e dentro da própria Abin. Além disso, Alexandre Ramagem afirmou que o servidor e jornalistas que publicaram reportagens sobre o fato serão processos, nas áreas penal e cível.