Afrofuturismo: Tuiuti une invenções de Paulo Barros a sua tradicional verve em defesa da população negra

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RIO — A Paraíso do Tuiuti abrirá a segunda noite de desfiles na Sapucaí, neste sábado (23). Com o enredo "Ka ríba tí ÿe - Que Nossos Caminhos Se Abram", a escola de São Cristóvão vai contar histórias de luta, sabedoria e resistência do povo preto, lembrando nomes de personalidades negras como Barack Obama, Beyoncé, Nelson Mandela e Catherine Johnson.

A ideia do carnavalesco Paulo Barros é apresentar um desfile afrofuturista, num enredo que aborde a glorificação do povo preto, associando personagens conhecidos aos orixás do candomblé. Mandela, por exemplo, virá representado como Oxalá.

— O enredo é uma grande homenagem a todos os negros que fizeram história no mundo todo e serão apresentados na avenida em forma de orixás, numa grande homenagem a todos eles — explica o diretor de carnaval, André Gonçalves.

A escola vai mostrar 20 personalidades negras contemporâneas que escreveram seu nome na história e que trazem características de 20 divindades africanas. Com isso, cada ala da Tuiuti vai homenagear um personagem pioneiro nas conquistas do povo negro e reverenciar uma divindade. A grande expectativa é como o carnavalesco, reconhecido por sua inventividade, vaiu desenvolver esse enredo na Avenida.

O enredo começa com a criação do mundo ordenada pelo deus supremo Olodumaré (ou Olorum). E lá estarão representados os orixás Oxalá, Nanã, Exu e Orunmilá, abrindo os caminhos e dando sabedoria aos homens. Líderes negros da resistência, como os ex-escravos Dandara e Zumbi também vão ser representados na Avenida.

Segundo Gonçalves, vai ter representação desses personagens e divindades em praticamento todas as alas. Ele pede para que o público fique atento ao desfile inteiro porque a apresentação reserva muitas surpresas.

— Peço que todos prestem muita atenção porque as homenagens virão nas alas e nos carros. Então é bom observar, porque o Paulo Barros teve de pegar o personagem e ver a semelhança dele com o orixá. Mandela, por exemplo, virá representado como Oxalá. É uma coisa maravilhosa.

Segundo Gonçalves. os desfiles desses anos terão um sabor especial, porque foram muito esperados, devido os adiamentos, por conta da pandemia. A mudança de data, segundo ele, serviu ainda para deixar mais ansiosos os amantes da folia.

—A expeciativa é muito grande. Espero que dê tudo certo para nós e para as coirmãs que estão esperando esse momento.

“Ka Ríba TiI Ye – Que nossos caminhos se aram”

Autores: Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Píer, Júlio Alves e Alessandro Falcão

Intérpretes: Celsinho Mody e Carlos Júnior

Olodumarê mandou
Oxalá me conduzir pelo céu da liberdade
Me falou Orunmilá
Vai, meu filho, semear pelo mundo a humanidade
Nos caminhos de Exu
Me perdendo encontrei nua e crua essa verdade
Que a raiz do preconceito
Nasce do olhar estreito da cruel desigualdade
Sou alabê gungunando o tambor
Trago cantos de dor, de guerra e de paz
Pra ver secar todo pranto nagô
E gritar por direitos iguais
Meu sangue negro que escorre no jornal
Inundou um oceano até a Pedra do Sal

Eh! Dandara!
A espada e a palavra, eh!
Não vai ser escrava
Hei de ver noutras negras minas
Um baobá malê que nasceu do chão
Pra vencer a opressão com a força da melanina

Negro é cultura e saber
Ka Ríba Tí Yê, caminhos de sol
Onde Mercedes, Estelas
Por becos e vielas
Se fazem farol
Pra iluminar Alafins
E morrer só de rir feito mil Benjamins
E cantar! Cantar! Cantar…
A beleza retinta que veio de lá
E cantar! Cantar! Cantar…
Pra saudar o meu Orixá

Ogunhiê! Okê arô!
Laroyê! Meu pai, kaô
Tem sangue nobre de Mandela e de Zumbi
Nas veias do povo preto do meu Tuiuti

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