Agência americana contraindica teste de anticorpos após vacina contra Covid

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos, FDA (Food and Drug Administration, em inglês), emitiu nota na última quarta-feira (19) contraindicando o uso de testes para medir anticorpos pós-vacinação contra a Covid-19.

A nota de segurança divulgada pela agência é direcionada ao público geral e aos profissionais de saúde e afirma que os resultados dos testes atualmente disponíveis no mercado para investigar a presença de anticorpos específicos contra o Sars-CoV-2 no sangue não devem ser usados para avaliar a proteção contra a Covid-19 em momento algum e menos ainda após receber uma dose de vacina.

De acordo com o órgão, embora um resultado positivo em um exame de anticorpos possa ajudar a identificar indivíduos com uma infecção prévia pelo coronavírus, mais estudos são necessários para avaliar a resposta em pessoas vacinadas.

"Os testes autorizados para detecção de anticorpos anti-Sars-CoV-2 não foram desenvolvidos para avaliar o nível de proteção induzida por resposta imune após as vacinas contra Covid-19. Se os resultados desses testes forem interpretados erroneamente, há um risco potencial de as pessoas relaxarem na adoção de precauções contra exposição ao vírus e pode aumentar a circulação do mesmo", afirma a nota.

O anúncio da FDA se assemelha à recomendação publicada pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) norte-americano, que diz não recomendar o uso de testes de anticorpos para aferir a imunidade contra o coronavírus pós-vacinação.

Especialistas já haviam alertado que os testes de anticorpos contra Covid-19 disponíveis no mercado não servem para saber se a imunização pós-vacina funcionou.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) não recomenda a realização de sorologia para avaliar reposta imunológica às vacinas contra Covid-19.

Os testes foram desenhados para a detecção de um ou mais tipos de anticorpos e não são capazes de verificar outros tipos de resposta imune do corpo, como a resposta celular.

Novas variantes do coronavírus que surgem também ameaçam potencialmente o conceito de proteção pós-vacinação, pois ainda há pouca informação sobre a possibilidade de novas cepas escaparem das vacinas.

Dessa forma, a FDA reforça que um resultado positivo (testes qualitativos) ou quantitativo (que além de medir a presença avaliam quantidade) para anticorpos anti-Sars-CoV-2 não devem ser interpretados como proteção.

Segundo o órgão, a detecção dessas proteínas no organismo pode indicar que uma resposta imune foi gerada (a chamada seroconversão), mas o contrário, ou seja, a não detecção de anticorpos, não pode ser definitiva para afirmar que não houve uma resposta imune.

Em relação aos imunizantes, alguns foram desenhados para induzir a produção de anticorpos específicos contra uma região do vírus, como as vacinas de mRNA (Pfizer e Moderna) ou de adenovírus não replicantes, caso da Janssen e da Sputnik V. Em todos esses casos, o alvo do fármaco é levar à produção de anticorpos que se ligam à proteína S do vírus (a espícula usada pelo Sars-CoV-2 para se ligar às células do hospedeiro).

Essas vacinas podem levar à produção de anticorpos neutralizantes, mas não necessariamente estarão associadas à indução de outros tipos de moléculas, como as imunoglobulinas de memória (IgG) e os anticorpos que se ligam ao nucleocapsídeo do vírus (proteína N). A realização de testes de anticorpos que não sejam específicos para essas partes do vírus pode ainda trazer resultados incorretos sobre a resposta imune.

Por outro lado, os testes de anticorpos podem ser ferramentas úteis para os profissionais de saúde e epidemiologistas para investigar a prevalência do vírus em um determinado local, a nível populacional, ou ainda indicar um possível contato anterior ao vírus. A agência reforça ainda que os testes de anticorpos devem ser feitos apenas com a orientação de um médico ou profissional de saúde.