Agência europeia é acusada de saber de devoluções ilegais de migrantes na Grécia

A antiga direção da agência de vigilância de fronteiras da União Europeia, Frontex, estava ciente da existência de devoluções ilegais de migrantes na Grécia, e ajudou a financiar essas expulsões, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira.

De acordo com o relatório, ainda confidencial, do Escritório Europeu de Luta contra a Fraude (Olaf), a Frontex sabia há tempos da existência de devoluções ilegais para a Turquia dos solicitantes de asilo, às vezes com violência.

Veículos como "Le Monde" e "Lighthouse Reports" tiveram acesso ao relatório, que teve trechos publicados pela alemã "Der Spiegel" nesta quinta-feira. "O antigo chefe Fabrice Leggeri e seus colaboradores mentiram para o Parlamento Europeu e esconderam o fato de que a agência apoiou com dinheiro dos contribuintes algumas expulsões", afirma a revista.

As conclusões do relatório haviam provocado a demissão do francês Leggeri no fim de abril. O documento afirma, por exemplo, que um avião da Frontex registrou um guarda costeiro grego devolver à Turquia um bote inflável com 30 migrantes a bordo em 5 de agosto de 2020.

Em vez de levar o fato ao conhecimento das autoridades gregas, a Frontex decidiu suspender as patrulhas aéreas sobre o Mar Egeu na Grécia, com a desculpa de que precisava dos aviões em outras regiões.

O Olaf afirma que seis embarcações gregas financiadas pela Frontex participaram de devoluções à Turquia entre abril e dezembro de 2020.

Leggeri conseguiu durante seu mandato (2015-2022) fortalecer a agência, que terá cerca de 10.000 guardas costeiros e fronteiriços em 2027. A Grécia sempre negou devoluções ilegais em sua fronteira.

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