Agência de notícias do governo Bolsonaro chama Biden de 'presidente eleito'

JULIA CHAIB
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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 10.11.2020 - Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de lançamento do programa Retomada do Turismo, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 10.11.2020 - Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de lançamento do programa Retomada do Turismo, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Agência Brasil, que faz parte da companhia estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), referiu-se a Joe Biden como presidente eleito dos Estados Unidos.

O site publicou, na noite desta sexta-feira (13), uma notícia da agência Reuters sobre a vitória do democrata no estado da Geórgia, o que ampliou a vantagem dele sobre o republicano Donald Trump.

Nas redes sociais da Agência Brasil, a matéria foi publicada com a seguinte legenda: "Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, confirma vitória sobre Trump na Geórgia".

A publicação ocorre no momento em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recusa-se a admitir a vitória do americano. O mandatário completou nesta sexta (13) o sétimo dia sem dar parabéns a Biden.

O texto publicado pela Agência Brasil é categórico ao tratar da eleição americana. "Os números deram a Biden, um democrata, uma retumbante vitória sobre o republicano Trump no Colégio Eleitoral, igualando os 306 votos que Trump conquistou para derrotar Hillary Clinton no triunfo de 2016, que o republicano chamou de "avassalador", diz a reportagem.

A EBC é vinculada ao Ministério das Comunicações. O ministro da pasta, Fábio Faria, indicou em setembro o nome do publicitário Glen Lopes Valente para assumir o comando da empresa.

A nomeação do novo presidente faz parte de projeto de reformulação da empresa. Além da saída do general Luiz Carlos Pereira Gomes do comando da companhia, a ideia é a de que outros militares em postos de diretoria sejam trocados, como os coronéis Roni Baksys Pinto, diretor-geral, e Márcio Kazuaki, diretor de administração.

A indicação de Glen para o posto também teve como objetivo aproximar a EBC da Secom, comandada pelo empresário Fábio Wajngarten.

Recentemente, as duas estruturas atuaram juntas para permitir a veiculação da serie D do Campeonato Brasileiro pelo conglomerado de comunicação.

A EBC é formada hoje por um canal televisivo, sete emissoras de rádio, uma agência e uma radioagência de notícias. No ano passado, o governo fundiu a grade de programação da TV Brasil e da TV NBR, em um esforço de redução dos custos da companhia.

Até setembro, a EBC tinha mais de 1.800 funcionários e, no ano passado, teve uma despesa total de R$ 549 milhões, o que representou um déficit de R$ 87 milhões em relação às suas receitas próprias. Só com a folha de pagamento e encargos trabalhistas, o gasto foi de R$ 326 milhões.