Agência da ONU para palestinos vive crise existencial, dizem funcionários

Crianças palestinas seguram pães enfeitados durante protesto em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, em 28 de janeiro de 2018

Um mês depois de o governo americano anunciar um drástico corte orçamentário, a agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) atravessa uma "crise" e só o Kuwait ofereceu um aporte de fundos adicionais, disseram nesta sexta-feira (9) funcionários do organismo.

Em janeiro, o governo de Donald Trump anunciou que pagaria 60 milhões de dólares dos mais de US$ 350 milhões anuais que costumava dar para o orçamento da UNRWA.

O Kuwait se ofereceu para contribuir com 900.000 dólares e outros 14 países doadores, inclusive Suécia e Japão, decidiram acelerar suas doações para manter viva esta agência da ONU, disse Peter Mulrean, representante da UNRWA em Nova York.

A agência atravessa uma "crise financeira existencial", enquanto busca preencher o vazio no orçamento provocado pela decisão de Washington, disse Mulrean a jornalistas na sede da ONU.

Os Estados Unidos são os maiores doadores da UNRWA, que fornece serviços de educação e saúde aos mais de cinco milhões de refugiados nos Territórios Palestinos, Jordânia, Líbano e Síria.

Em janeiro, a embaixadora americana Nikki Haley indicou que seu país não entregaria mais ajuda aos palestinos até que decidam "voltar à mesa de negociações" e alcançar um acordo de paz com Israel.

A UNRWA precisa se reformar porque considera "qualquer palestino como um refugiado" e "o que ensina nas escolas não é necessariamente o modo correto de fazer as coisas", disse Haley em entrevista a uma rádio.

A agência da ONU foi acusada de promover o sentimento anti-israelita em suas escolas, embora suas autoridades neguem esta afirmação.

O diretor da UNRWA na Cisjordânia, Scott Andersen, disse que todos os serviços da agência continuam funcionando por enquanto, mas que a decisão de Washington deixou ansiosos muitos palestinos.

"O povo está assustado e preocupado com o que isto significa para ele, suas famílias e seu futuro", acrescentou.