Agência reguladora dos EUA autoriza uso emergencial de vacina da Moderna para a Covid-19

O Globo
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NOVA YORK - A agência regulatória de saúde dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) permitiu o uso emergencial da vacina da Moderna para a Covid-19 nesta sexta-feira (18). O imunizante da empresa americana é o segundo autorizado para distribuição nos Estados Unidos, depois da vacina da Pfizer.

O anúncio foi feito um dia após o comitê consultivo da agência endossar a autorização do uso emergencial da vacina da Moderna. A vacina da Pfizer recebeu a mesma avaliação na última sexta-feira (11), tornando-se a primeira vacina autorizada para a Covid-19 nos Estados Unidos. A FDA é o órgão federal americano equivalente à Agência Nacional de Vigilência Sanitária (Anvisa).

Nesta semana, a FDA havia anunciado que a vacina da Moderna é altamente protetora e não apresenta "nenhum problema de segurança". A nova revisão publicada pela FDA confirma que a vacina tem uma alta taxa de eficácia: 94,1% das pessoas vacinadas desenvolveram imunidade contra a doença. Os efeitos colaterais — febre, dor de cabeça e fadiga — foram desagradáveis, mas não perigosos, concluiu a agência. O ensaio reuniu 30 mil pessoas.

A vacina da Moderna é aplicada em duas doses e mais fácil de manusear do que a vacina da Pfizer por não depender de um armazenamento a temperaturas muito baixas — a da Pfizer precisa ser mantida a -75º Celsius. As doses podem ser mantidas em refrigeradores comuns, enquanto as da concorrente dependem de aparelhos especiais e mais caros.

A Moderna vem preparando a cadeia de abastecimento em conjunto com o governo de Donald Trump há meses, e anunciou que consegue distribuir entre 100 e 125 milhões de doses do imunizante no primeiro trimestre de 2021.

Longe do Brasil

No Brasil, até o momento, nenhuma farmacêutica pediu uso emergencial de vacina para a Anvisa.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira que a Pfizer insiste em uma cláusula de isenção de responsabilidade em relação a possíveis efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19. Segundo ele, a empresa também quer firmar em contrato a impossibilidade de ser julgada em tribunais brasileiros por quaisquer questões relacionadas ao imunizante. Pazuello deu a entender que essas questões são um entrave para a assinatura de um contrato com a farmacêutica e a BioNTech, mas, por outro lado, que o governo está "pensando em aceitar".

A Pfizer negocia com o Ministério da Saúde a produção de 70 milhões de doses de seu imunizante para a população brasileira. Primeira vacina a ser autorizada e distribuída em massa (após a russa Sputnik V), ela teve aprovação para uso emergencial em nações como Reino Unido, Estados Unidos, México e Arábia Saudita.