Agências europeia e britânica ainda recomendam vacina da AstraZeneca, apesar de possível elo com coágulos

Kate Kelland e Anthony Deutsch e Alistair Smout
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Vacinação contra Covid-19

Por Kate Kelland e Anthony Deutsch e Alistair Smout

LONDRES (Reuters) - As agências reguladoras de medicamentos da Europa e do Reino Unido disseram nesta quarta-feira que encontraram possíveis elos entre a vacina contra Covid-19 da AstraZeneca e casos muito raros de coágulos sanguíneos, mas reafirmaram sua importância para proteger as pessoas da doença.

Um grupo de aconselhamento do governo britânico disse que a vacina não deveria ser dada a pessoas de menos de 30 anos quando possível, mas uma autoridade disse que isto "realmente é por excesso de zelo, e não porque temos qualquer preocupação de segurança séria".

Mais de uma dúzia de países suspendeu em algum momento o uso da vacina, que já foi dada a dezenas de milhões na Europa, mas a maioria já a retomou, e alguns, como França, Holanda e Alemanha, estabeleceram uma idade mínima.

Agora, infecções crescentes causadas por variantes mais infecciosas estão ameaçando sobrecarregar os hospitais de muitos países da União Europeia --onde o ritmo das vacinações está atrás daqueles do Reino Unido e dos Estados Unidos-- e obrigando a França e outros a readotar lockdowns sociais e econômicos.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recebeu relatos de 169 casos dos coágulos sanguíneos cerebrais raros no início de abril, depois de 34 milhões de doses terem sido administradas no Espaço Econômico Europeu (EEE), de acordo com Sabine Straus, presidente do comitê de segurança da EMA. O EEE é composto dos 27 países da UE mais Islândia, Noruega e Liechtenstein.

Em comparação, quatro de 10 mil mulheres teriam um coágulo sanguíneo por usar contraceptivos orais.

Em seu comunicado, a EMA disse que está orientando profissionais de saúde e vacinados a tomarem consciência "da possibilidade de casos muito raros de coágulos sanguíneos, combinados com níveis baixos de plaquetas sanguíneas, ocorrendo dentro de duas semanas após a vacinação".

"Até agora, a maioria dos casos relatados ocorreu em mulheres de menos de 60 anos duas semanas após a vacinação", acrescentou a agência, mas sem emitir novas diretrizes.

Os ministros da Saúde da UE começaram a se reunir pouco depois da divulgação do comunicado da EMA.

Após uma distribuição ampla no Reino Unido e na Europa continental, a vacina da AstraZeneca deve ser a base dos programas de vacinação de grande parte do mundo em desenvolvimento.

(Por Francesco Guarascio, Kate Kelland, Alistair Smout, John Miller, Toby Sterling, Bart Meijer, Anthony Deutsch, Pushkala Aripaka, Stephane Nebehay e Josephine Mason)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC