Agências de risco: o rating soberano do Brasil é BB, mas o que isso quer dizer?

Pixabay

O Brasil teve o rating (avaliação, em inglês) rebaixado de BBB- para BB+ pela Standard and Poor’s (S&P) em setembro de 2015 e o que parece ser a simples perda de uma letrinha significou a saída do país do grau de investimento. A agência também retirou o selo de bom pagador.

Pouco tempo depois, a Fitch e a Moody’s também revisaram para baixo a nota de crédito do Brasil. Com isso, o rating do país foi rebaixado para grau de especulação nas três principais agências de risco do mundo.

A nota já havia sido rebaixada em 2014 pela S&P para BBB-, ano em que o ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) foi de US$ 62,4 bilhões, o menor desde 2010. Com a derrocada da nota brasileira em 2015, o IED ficou praticamente estável com US$ 64,4 bilhões, de acordo com o Banco Central. Enquanto neste período os fluxos mundiais cresciam 38%, atingindo US$ 1,76 trilhão, o maior nível desde a crise financeira de 2008, segundo estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Isso porque mesmo com a promessa de rendimentos altos, antes de apostar o dinheiro os investidores avaliam se é minimamente confiável. Exatamente como acontece quando as companhias pedem referências dos candidatos durante o processo seletivo para contratação de um funcionário e os comerciantes na hora de aprovar um cartão da loja. A reputação é importante para avaliar os riscos para o bem ou para o mal.

Avaliação

As agências de classificação nasceram há mais de 150 anos a fim de avaliar os riscos na concessão de crédito. Elas usam letras, números e sinais matemáticos (+ ou -) para atribuir o rating de uma empresa, um ativo ou país.

No geral, a melhor classificação é AAA e a pior é D. Na escala da Moody’s, vai de Aaa até C. Notas acima de BBB- ou Baa3 dão ao agente o grau de investimento, enquanto que os classificados abaixo disso recebem o grau de especulação.

As agências são contratadas pelas empresas ou pelos governos para fazer a avaliação e divulgam o resultado apenas com a autorização do cliente. Logo, as companhias ou países que tornam públicas todas as suas notas tendem a ganhar mais credibilidade.

É feita uma avaliação criteriosa com objetivo principal de transmitir transparência sobre o risco relativo, com base na capacidade e vontade do emissor para pagar o valor principal e os juros, no prazo acordado, além da gravidade da perda, em caso de inadimplência.

As três principais agências detêm mais de 90% do mercado global e esta é uma das principais críticas, pois alguns especialistas acreditam que elas não fizeram um bom trabalho em 2008 e isso foi um fator crucial que contribuiu para o ambiente infestado de ativos tóxicos que levou à crise financeira, dado que atribuíram classificações favoráveis a instituições insolventes, como Lehman Brothers, e a arriscados títulos subprime.

Por que a opinião das agências é importante?

Muitos investidores só apostam em países com rating elevados, ainda que os governos com notas mais baixas geralmente coloquem taxas elevadas de rendimentos visando atrair mais capital estrangeiro. No Brasil, após os rebaixamentos, a Selic só subiu e passou de 10,40% em janeiro de 2014 para 14,15% em agosto do ano passado, quando voltou a cair. Hoje está em 12,25% ao ano.

No ano em que o Brasil atingiu grau de investimento, em 2008, o ingresso líquido de capitação estrangeira bateu recorde de US$ 45 bilhões, o maior nível até então desde o início da série histórica do Banco Central, em 1947. Em 2011, quando conquistou o rating BBB, o mais alto até agora, o IED ultrapassou mais um marco, US$ 66 bilhões.

A nota de crédito do país acaba refletindo também na nota das empresas. Ou seja, uma piora no ranting soberano do Brasil pode resultar em rebaixamentos de companhias e, consequentemente, em uma maior dificuldade de financiamento ou, ainda, taxas mais caras para tomada de empréstimos.

Nota atual

A Fitch e a S&P classificam o país como BB, o equivalente a Ba2 na Moody’s. Isso quer dizer que a nota está em grau de especulação nas três agências. A justificativa comum trata sobre os desafios fiscais e econômicos consideráveis que requerem um compromisso político firme, além das projeções baixas de crescimento que levam a uma perspectiva negativa.

Por Daiane Brito