Agentes de viagem viram influencers para vender pacotes na pandemia

Larissa Coldibeli
·5 minuto de leitura
Mariana Campbell acredita que as pessoas se identificam mais com uma conta pessoal do que comercial
Mariana Campbell acredita que as pessoas se identificam mais com uma conta pessoal do que comercial

A paralisação do turismo por causa da pandemia obrigou os agentes de viagem a se reinventar, e muitos deles viram o potencial comercial das redes sociais, em especial o Instagram. É o caso de Rodger Junkes, sócio da agência Intercultural, de São José (SC), e de Mariana Campbell, sócia da Chancetour, que fica no bairro do Tatuapé, em São Paulo.

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Desde setembro, com a retomada das viagens de turismo, eles passaram a produzir conteúdo mostrando os novos protocolos de segurança contra a Covid-19 em aeroportos, voos, hotéis e passeios e, assim, despertaram o interesse dos clientes em voltar a viajar após o período de isolamento social.

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“Atualmente, 80% das vendas vêm do Instagram. Antes da pandemia, eu já usava o Instagram como ferramenta comercial, mas vendia menos, cerca de 40% do faturamento total”, afirma Junkes.

Ele acumula mais de 5.000 seguidores em sua página pessoal, onde compartilha suas experiências de viagem. Ele vende pacotes nacionais, internacionais, cruzeiros e organiza grupos para a Disney. A agência não possui uma página comercial porque é uma unidade franqueada, e a franquia não autoriza. Mas, segundo ele, isso não é um impedimento para fazer negócios pela rede social.

“As pessoas se identificam mais quando o conteúdo é postado por outra pessoa do que por uma marca. Uma pessoa passa mais credibilidade e confiança”, declara.

Agentes mostram como é viajar na pandemia

No final de setembro, Junkes participou de uma famtrip (viagem com condições especiais para agentes conhecerem os serviços que comercializam) em Cancún, organizada para mostrar a retomada do turismo internacional. O resultado que ele teve nas redes sociais foi tão grande que ele estendeu sua estadia, que deveria ser de seis dias, para três semanas. Ao todo, ele passou por nove hotéis.

“Muita gente interagiu nos meus posts no Instagram, tirou dúvidas sobre como é viajar na pandemia, pediu cotações. Até hoje estou fechando vendas por causa dessa viagem. Vendi uns 10 pacotes, cerca de R$ 150 mil. São números muito bons para o momento que estamos vivendo. Se eu estivesse na agência, não teria vendido tanto”, afirma.

Clientes famosas

Em Cancún, ele ainda ganhou uma força extra na divulgação ao recepcionar a cantora Luísa Sonza. Ele ajudou a organizar os traslados e os passeios para ela e sua equipe e apareceu no Instagram da famosa. Esse atendimento foi por acaso, por indicação de um amigo. Depois disso, outra celebridade virou sua cliente: a empresária Camila Farani, do programa de TV Shark Tank Brasil, que entrou em contato pelo Instagram para comprar um pacote para um dos hotéis por onde ele passou na Riviera Maia.

Mariana Campbell, da Chancetour, também participou da mesma viagem à Cancun, postou tudo no Instagram, e viu a conversão em vendas. Foram pelo menos 10 pacotes vendidos a partir dos posts na rede social.

Assim como Junkes, ela também acredita que as pessoas se identificam mais com uma conta pessoal do que comercial, por isso, ela rompeu o contrato com a empresa de marketing digital que cuidava da página da agência e passou a investir mais em criar conteúdo próprio em sua página pessoal, que tem quase 2 mil seguidores.

“Apesar de eu não ter tantos seguidores, é um público muito engajado, ao contrário dos quase 18 mil seguidores da Chancetour. Estou sentindo que esse é o caminho e estou adorando produzir conteúdo. O Instagram ganhou força com a pandemia e não acho que é algo pontual”, diz ela.

Digitalização em alta

Pesquisa da ABAV (Associação Brasileira das Agências de Viagem) em parceria com o Sebrae mostra que a maioria das agências (83%) estão digitalizadas e já faziam vendas por redes sociais antes da pandemia. A campeã é o WhatsApp (86%), seguida pelo Instagram (61%) e Facebook (57%).

Mariana Aldrigui, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, diz que, mais do que uma ferramenta de vendas, as redes sociais podem ter outras funcionalidades. “Elas servem como mecanismo de compreensão das tendências e monitoramento do humor dos clientes. O agente deve ser um ‘curador de conteúdo’, filtrando o que mais se alinhar ao perfil de seus clientes e adicionando comentários que auxiliem nos processos de decisão”, indica.

Thiago Akira, consultor de marketing turístico digital, diz que as pessoas estão carentes de informação sobre como é viajar na pandemia e que isso é uma oportunidade para os agentes.

“Os agentes de viagem são especialistas, eles lidam diariamente com as dúvidas dos viajantes, eles têm uma visão mais ampla do que é bom ou ruim e tem mais poder argumentativo para converter o conteúdo em vendas, em comparação com os influencers de viagem”, avalia.

Veja as dicas do especialista para quem quer investir na rede social:

  • Comece! Não tenha vergonha, não espere ter um equipamento melhor, não adie. Vá testando como aparecer no vídeo e que tipo de conteúdo as pessoas gostam mais.

  • Tenha um objetivo. Pode ser aumentar as vendas, aumentar o número de seguidores, fortalecer a marca. Defina seu público e, a partir daí, elabore estratégias e acompanhe os resultados.

  • Viaje! Com as mudanças trazidas pela pandemia, conteúdo antigo perdeu valor. Mostre as novidades, mas esteja preparado para os comentários negativos que podem haver.

  • Já que está com a mão na massa, aposte também em vídeos para o YouTube. É uma forma de fazer o conteúdo “durar mais” e alcançar mais pessoas além das que estão nas suas redes sociais.

  • Cuidado com o pós-venda. Faça um atendimento de qualidade, do início ao fim da viagem do seu cliente, para que ele recomende seus serviços. Isso gera recorrência.

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