Agentes de higienização que trabalham na Baixada contam sobre rotinas, medos e sonhos

Cíntia Cruz
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Humberto Rodrigues atua em Nova Iguaçu

Eles não estão nos hospitais, mas participam ativamente da luta contra o novo coronavírus. Todos os dias, saem às ruas para fazer a limpeza dos espaços públicos, medida que visa conter a propagação da doença. Suas armas são detergente, hipoclorito, água e pulverizador. É com elas que os agentes de higienização lutam nessa guerra contra a Covid-19.

Soldador e serralheiro, João Paulo Reis, de 29 anos, começou há um mês na empresa terceirizada que faz o serviço de desinfecção em espaços públicos de Belford Roxo. Trocou a máquina de solda pelo pulverizador, que pesa 23kg, e tem um mecanismo movido a gasolina e óleo. Um dia e meio de treinamento foi o suficiente para que aprendesse a manusear o equipamento.

João também é rápido para vestir todo o equipamento de proteção, composto por máscara com respirador, camisa, calça, avental, bota, óculos, luva e protetor facial. Cinco minutos é o tempo necessário. No fim do expediente de oito horas, todo o material utilizado é higienizado pelos próprios profissionais em suas casas.

— Recebemos um kit de limpeza para limpar todo nosso uniforme em casa. Troco de roupa na base e, quando chego em casa, já deixo a bolsa no tanque. Tomo banho e volto para lavar tudo. Depois, tomo outro banho. Demoro quase uma hora nesse processo — conta João, que mora com a esposa e o filho de 2 anos em Nova Aurora.

É para o pequeno Arthur que João quer contar essa história no futuro:

— Sei que estou sendo útil e importante nesse combate e fazendo minha pequena parte.

É essa a mesma sensação do servidor federal Humberto Rodrigues Mesquita, de 52 anos. Ele é funcionário do Ministério da Saúde há 34 anos, e atua em Nova Iguaçu. Na década de 80, participou do combate à dengue. Agora, está de volta às ruas para combater a Covid-19:

— Estava trabalhando no eixo Dutra colocando inseticida em ferros-velhos e borracharias. Em março, fui convocado para higienizar passarelas, estações de trem, pontos de ônibus, UPAs, creches. Quando você trabalha com endemia, é assim. Em 87, quando teve o primeiro surto de dengue, eu atuei no combate à doença.

Na sua casa, no bairro Jardim Iguaçu, Humberto tem um chuveiro no quintal. É lá que toma o primeiro banho, assim que chega do trabalho. O uniforme vai direto para a máquina de lavar. O óculos é higienizado com álcool. Humberto se orgulha da sua trajetória profissional, que inclui dois momentos históricos de combate a uma doença, e já tem um fã em casa:

— Quando chego em casa, Felipe, meu neto de 7 anos fica todo alegre. Ele até faz desenhos do meu uniforme. Isso vai ser o meu legado, minha contribuição na pandemia.

Apesar do orgulho de integrar essa luta, os familiares se preocupam com a exposição dos agentes. Mas eles ressaltam que tomam todos os cuidados para evitar a contaminação. Servidor da Secretaria de Obras de São João de Meriti há 16 anos, Fábio Domingues da Silva, de 42, agora atua na higienização.

Casado e pai de quatro filhos, ele revela que há um receio da família de que ele se contamine, mas garante que não há motivo para preocupação:

— Tem o receio porque quem vai para a rua fica exposto, mas aqui a gente se previne ao máximo. Tenho certeza que tudo isso vai passar e me orgulho de estar nessa luta.

Local e horário da higienização nas cidades

Belford Roxo

O município tem 14 profissionais que atuam na higienização. Nesta quarta-feira, eles vão estar no bairro Nova Aurora, na unidade de saúde Edir Henrique Gandra e na Policlínica Regional de Nova Aurora, além de ruas e centros comerciais do bairro.

Nova Iguaçu

São 18 profissionais que atuam na área. Nesta quarta-feira, os agentes vão estar em postos e Cras nos bairros Vila Operária, Jardim da Viga, Prata, Monte Líbano, Santa Clara, Engenho Pequeno, Califórnia e Bairro da Luz.

São João de Meriti

Na cidade, são 30 pessoas que trabalham na desinfecção de ruas. Domingo, a higienização será no Centro, na rua da feirinha.

Como funciona

A desinfecção dura entre dez e 25 minutos, depende do tamanho do espaço. Os agentes fazem a limpeza de vias públicas, creches, escolas, unidades de saúde, banco, comércio, Cras, estações, passarelas.sf\fds