A agitada história do Canal de Suez

Por Jean-Philippe CHOGNOT
Um navio porta-contêineres navega pela nova seção do Canal de Suez, na cidade portuária egípcia de Ismailia, a 135 km a nordeste do caital Cairo

O Canal de Suez une o Mediterrâneo e o Mar Vermelho desde 1869, mas teve uma história agitada, repleta de guerras.

- Desde os faraós -

No século XIX antes da nossa era, um primeiro canal foi escavado entre o Golfo de Suez e o delta do Nilo, sob o reinado de Sesóstris III. Foi utilizado, com interrupções, até o século VIII da nossa era, até ser abandonado pelo alto custo da dragagem contínua.

A partir do século XVI, o projeto volta a ser estudado, sucessivamente pelos venezianos, os sábios que acompanharam Napoleão Bonaparte em sua expedição ao Egito, ou pelos sansimonistas, adeptos do industrialismo.

Em 1854, a ascensão de Said Pacha ao trono de vice-rei do Egito dá um novo impulso ao projeto.

- Dez anos de obras -

Em 30 de novembro de 1854, Said Pacha assina uma concessão de 99 anos, autorizando o diplomata francês Ferdinand de Lesseps, seu ex-professor de hipismo, a cavar o canal no istmo de Suez.

No ano seguinte, o francês funda a Companhia de Suez. Apoiado por Napoleão III e pela imperatriz Eugênia, consegue captar por assinatura mais da metade do capital necessário. O vice-rei compra a outra metade das ações.

O canal foi oficialmente inaugurado em 17 de novembro de 1869 pela imperatriz Eugênia, após dez anos de obras.

- Um assunto franco-britânico -

Em 1875, o vice-rei Ismail Pacha, muito endividado, vende suas ações para o governo britânico. Cinco anos depois, vende ao Crédit Foncier da França sua participação nos lucros. A Companhia de Suez, cuja vocação era originalmente universal, transforma-se, assim, em um assunto franco-britânico.

Em 1888, um tratado outorga ao canal o estatuto internacional. Pode ser utilizado por todos os barcos sem exceção, em tempos de guerra e paz, embora isso nem sempre seja respeitado.

- Nasser nacionaliza o canal -

Em 26 de julho de 1956, o então presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionaliza a Companhia do Canal de Suez para financiar a construção da represa de Assuan (sul), após a recusa dos Estados Unidos de conceder um empréstimo a seu país.

Em 29 de outubro, Israel ataca o Egito na península do Sinai em virtude de um acordo secreto assinado com Paris e Londres, principais acionistas da Companhia.

Dois dias depois, bombardeios franco-britânicos destroem parte da aviação egípcia. A ofensiva dura uma semana.

Em 3 de novembro, o Egito obstrui o canal ao afundar navios.

No dia 6, sob pressão dos Estados Unidos e da URSS, Londres anuncia um cessar-fogo, seguido por Paris. Moscou ameaça de forma velada usar uma arma nuclear, e Washington, de deixar a libra esterlina afundar.

O Canal de Suez, agora egípcio, reabre para navegação em 29 de março de 1957.

- Oito anos de fechamento -

Em junho de 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, o Exército israelense entrou no Sinai e iniciou a ocupação do lado oriental do canal, que foi fechado para navegação.

Em 6 de outubro de 1973, explode o conflito árabe-israelense. Os egípcios surpreendem os israelenses e passam pelo Canal de Suez. Uma semana depois, é Israel que passa no sentido inverso.

Os capacetes azuis da ONU são mobilizados no local. Os dois lados voltam a passar para o controle egípcio em fevereiro de 1974, graças a um acordo egípcio-israelense.

Após 15 meses de obras de desminagem, o Canal de Suez volta a abrir em 5 de junho de 1975.

- Modernização -

Com o tratado de paz egípcio-israelense firmado em 1979, a história do Canal apazigua depois de 1975.

O canal cresce e se moderniza progressivamente. Em agosto de 2015, o presidente Al-Sissi inaugura uma ampliação que permitirá duplicar o tráfego em 2023.