Aglomeração de camelôs reúne cerca de mil ambulantes na região central de SP

ALFREDO HENRIQUE
SÃO PAULO, SP, 18.05.2020 - COMÉRCIO-CORONAVÍRUS - Movimentação de ambulantes e consumidores na região do Brás, centro da capital paulista, na manhã de segunda-feira (18). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 1.000 vendedores ambulantes, segundo estimativa na região, têm se aglomerado no início das manhãs no Brás, famoso bairro de comércio popular no centro da capital paulista, onde vendem roupas e máscaras de proteção contra a Covid-19, doença que parecem não temer.

A aglomeração de camelôs começa em torno de 4h. Nesta segunda-feira (18), por volta de 6h30, a reportagem encontrou vendedores informais próximos uns dos outros, apesar de usarem máscaras, na extensão de cinco quarteirões da rua Rodrigues dos Santos, descumprindo recomendações de autoridades de saúde contra proximidade de pessoas para evitar a contaminações pelo novo coronavírus.

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), afirma que 20 equipes realizam ações de fiscalização diariamente na região, em conjunto com a Polícia Militar.

A reportagem circulou entre os cruzamentos das ruas Oriente e Vitor Hugo. Os ambulantes, a maioria estrangeiros, expunham peças de vestuário em cabides, carregados nas mãos. Isso facilita para que corram, caso avistem a polícia ou fiscais. Outros vendem seus produtos em porta-malas de carros, que são fechados quando os camelôs percebem algum eventual risco de apreensão das mercadorias.

Segurando quatro blusas de lã em cabides, um vendedor boliviano afirmou, em condição de anonimato, que os ambulantes ocupam a rua de segunda a sábado, das 4h a "até quando a polícia aparece". Ele abastece seu estoque em uma loja das proximidades, onde também afirmou pedir encomendas feitas previamente por clientes.

Comerciantes de várias regiões, inclusive de fora do país, chegam à região para adquirir roupas, que serão revendidas em suas cidades de origem. Nesta segunda foram vistos veículos com placas de Limeira (151 km de SP), Curitiba (PR) e até do Paraguai.

O comerciante Alfeu Figueiredo, 54 anos, aguardava na rua Oriente, por volta das 7h40, a entrega de roupas, que encomendou por telefone. Esta é a terceira vez que ele diz ir ao Brás neste mês, junto com a mulher, para abastecer o estoque de sua loja em Curitiba.

Ele optou em pegar a estrada após os preços de frete subirem, em decorrência da pandemia da Covid-19. "Está compensando muito mais vir de carro e pegar as roupas pessoalmente", afirmou.

Figueiredo admitiu também comprar itens dos ambulantes da rua Rodrigues dos Santos, pois são comercializados a preços ainda mais baixos. Segundo ele, o número de camelôs aumentou, em relação à primeira viagem feita por ele neste mês ao Brás.

Corre corre ao ver a polícia Os ambulantes circulam alertas pela rua Rodrigues dos Santos, correndo sempre que percebem a aproximação de algum a viatura da polícia. Nenhum fiscal foi visto na região até por volta das 8h, na segunda.

Cerca de uma hora antes, um carro da Polícia Militar acessou a via, provocando a dispersão de alguns camelôs. O veículo, no entanto, trafegou pela via, sem parar em nenhum momento. "Daqui a pouco vem um monte deles [policiais]", comentou uma ambulante, sem saber que falava com a reportagem.

Em cerca de dez minutos, duas viaturas pararam ruidosamente na esquina com a rua Oriente, provocando correria dos camelôs. Um dos carros permaneceu no local e do qual desembarcaram dois agentes, enquanto o outro veículo trafegou pela rua, provocando a dispersão de grande parte dos ambulantes.

Após isso, o número de PMs na rua foi aumentando paulatinamente até que, por volta das 8h30, havia agentes em cada quarteirão da rua, inibindo a venda ostensiva de produtos por parte de ambulantes.

O governador João Doria (PSDB) afirmou durante coletiva de imprensa, em 6 de abril, que a PM seria usada para dissipar aglomerações, se necessário.

A reportagem também foi a outros pontos de comércio popular como as ruas 25 de Março, Vautier, Barão de Duprat, em frente à Galeria Pajé, além da Silva Teles. Os locais estavam quase desertos, contando com a presença de policiais, alguns comerciantes de serviços essenciais e eventuais ambulantes, que circulavam a pé anunciando seus produtos - como películas de celular, por exemplo.

OUTRO LADO

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), afirma já ter apreendido mais de 8.000 peças de roupas vendidas irregularmente na região, entre abril e esta segunda-feira (18). O recolhimento dos itens é feita por 20 equipes de fiscalização, que contam com apoio da PM.

O governo acrescentou que a ações começam por volta das 6h e que, nesta segunda, iniciou uma nova operação de fiscalização na rua Rodrigues dos Santos.

A gestão Covas disse ainda que além de combater o comércio ilegal, as ações pretendem conscientizar a população, "com foco nas recomendações das autoridades de saúde", para minimizar possíveis contaminações pelo novo coronavírus.

A PM foi questionada sobre eventuais ocorrências, além de quais diretrizes de ação são tomadas na região contra aglomerações. A corporação, porém, não respondeu até a publicação desta reportagem.