Agora crítico de Doria, Filipe Sabará é escolhido candidato do Novo para prefeitura de SP

O Globo
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A convenção aconteceu em sistema de drive-thru e aprovou a candidatura do ex-secretário de Doria para a eleição municipal
A convenção aconteceu em sistema de drive-thru e aprovou a candidatura do ex-secretário de Doria para a eleição municipal

SÃO PAULO — Filipe Sabará foi oficializado como candidato do Novo na disputa pela prefeitura de São Paulo, em convenção partidária realizada neste sábado, 5.

Sabará, 36 anos, que elogiou recentemente a condução da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro, é um crítico contundente do PSDB, embora tenha iniciado carreira política apadrinhado pelo governador paulista João Doria, que o nomeou secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social em seu mandato como prefeito.

Em 2019, quando se tornou governador, Doria indicou Sabará para o Fundo Social São Paulo. À época, a proximidade entre ambos e o envio de Sabará para representar Doria em eventos oficiais chegou a preocupar aliados de Brunos Covas (PSDB), incomodados com a notoriedade do secretário, que chegou a ser apelidado de “mini-Doria”. Mas o agora candidato à prefeitura deixou o cargo em outubro, após dez meses na pasta, por divergências com o governador paulista.

Entre as críticas estava a adoção de medidas que não seriam compatíveis com a agenda liberal defendida pelo tucano até a eleição, segundo Sabará, como a criação do IncentivAuto (programa de incentivo a montadoras) e a adoção do isolamento social na pandemia.

Sabará defende que o governador deveria ter feito uma “uma flexibilização maior”, como a conduzida por Romeu Zema, governador de Minas Gerais, também do Novo, que ele define como “um verdadeiro liberal”:

— A liberdade tem que ser o bem maior para as pessoas que se dizem liberais, e não o autoritarismo — critica.

Hoje crítico ferrenho de Doria e Covas, Sabará afirmou em entrevista recente à revista Veja São Paulo que Bolsonaro se saiu melhor que Doria na condução da pandemia. Os elogios ao presidente, que adotou postura de negacionismo científico desde o início da pandemia, teriam gerado mal-estar e críticas em parte da cúpula do Novo. Perguntado sobre sua identificação com Bolsonaro e a busca pelos votos bolsonaristas nesta eleição, ele agora adota tom mais ameno:

— Minha relação é com a direita e com as pessoas que votam nela. O cidadão tem que ser mais importante que o estado. Minha conexão é com pessoas que defendem a liberdade e um estado que funcione. O cidadão não aguenta mais os velhos políticos. O PSDB teve nos últimos anos muitas figuras indiciadas e condenados por corrupção. É o outro lado da moeda do PT — declarou ao GLOBO.

Sobram críticas também para figuras da direita como a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) e o deputado estadual Arthur do Val (sem partido), que devem abandonar os mandatos para concorrer no pleito deste ano:

— Eu digo que sou direita raiz porque esse pessoal é direita Nutella, que usa o mandato como trampolim político. Nosso partido não usa recursos do fundo eleitoral, não permite abandono de mandato e faz processos seletivos para os candidatos, como o que eu passei.

A plataforma de Sabará, que se diz ansioso pelo início da disputa eleitoral em 17 de outubro e aposta numa corrida travada principalmente em âmbito digital, baseia-se no foco em cortes do que chama de “privilégios de políticos”, desburocratização da máquina estatal, liberalismo econômico e atenção a áreas sociais, como saúde e educação.

Ele defende aumento de investimentos com baixa taxa de juros para pequenos negócios na periferia, que chama de “regiões de oportunidade”. Em 2012, fundou uma ONG para capacitação de pessoas em situação de rua e uma empresa de produtos naturais com embalagens reutilizáveis.

Herdeiro de grupo empresarial que fornece insumos para gigantes dos cosméticos, Sabará disputou a pré-candidatura com 77 candidatos do partido, entre eles o presidente da UnitedHealth, Claudio Lottenberg, e o ex-deputado federal Emerson Kapaz.. A votação deste sábado aprovou integralmente sua chapa, que tem como vice a economista Maria Helena Cunha Santos. Ela deixou em fevereiro a equipe da Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia de Paulo Guedes para se dedicar à corrida.

A convenção aconteceu em sistema de drive-thru e também aprovou as candidaturas para vereador de 34 filiados.

A cidade de São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país, com cerca de 9,1 milhões de eleitores aptos segundo o TSE. Embora Ibope e Datafolha ainda não tenham divulgado pesquisas sobre a corrida, o instituto RealTime Big Data e Paraná Pesquisas apontam liderança de Covas (PSDB) e Celso Russomano (Republicanos) na disputa, com mais de 20% de intenções de voto. Filipe Sabará aparece com cerca de 0,5% a 0,7% das intenção de votos.