'Agora sou órfão de filhos', diz pai de militar morta em São Gonçalo

Gustavo Goulart
Carro das vítimas foi perfurado por disparos de arma de fogo

A morte da sargento da Marinha Daniela Barcelos, de 33 anos, ocorrida na tarde de segunda-feira quando sofreu um ataque a tiros de criminosos na Rua Lindolfo Fernandes, no bairro Vila Três, próximo a Alcântara, em São Gonçalo, está sendo mais um duro golpe para a sua família. O pai dela, Sérgio da Silva Carvalho, de 55 anos, funcionário de uma veterinária em Alcântara, desabafou na manhã desta terça-feira que ainda não assimilou a morte do filho mais novo, Eduardo Cândido, vítima de um infarto fulminante há 2 anos e 8 meses quando tinha 26 anos, e que está sendo muito duro perder mais um filho.

- Agora sou órfão de filhos. Há 2 anos e 8 meses Daniela passou a ser minha filha única. Meu filho mais novo que trabalhava num cartório, sofreu um infarto. Ele ia a muitas baladas e ingeria muitos energéticos. Talvez isso possa explicar um infarto numa pessoa tão nova. A mãe de Daniela, de quem eu sou separado, está inconsolável também.

Ele contou que o filho de Daniela de apenas 7 anos já foi informado da morte da mãe, mas ainda não assimilou o que aconteceu.

- Ele teve a reação de uma criança que ainda não entende nada. Mais tarde a ficha vai cair e vamos precisar levá-lo no psicólogo - disse.

Ele contou que soube do crime por acaso na tarde de segunda-feira, quando conversava com amigos em Alcântara.

- Um conhecido chegou e disse que tinha havido um crime na Rua Lindolfo Fernandes e eu percebi que era perto de onde ela morava. Falou num carro preto (Daniela foi atingida dentro de seu carro, um Chevrolet Tracker preto). Corri para lá de carro. Vi o veículo preto com marcas de tiro e fiquei com o coração apertado. Seguir até o prédio dela e o porteiro foi logo me chamando e me pedindo calma. Foi aí que a ficha caiu - relatou.

Ele disse que a família deu falta da bolsa de Daniela e de seu celular. O aparelho da amiga que estava com ela (Vanessa Santos de Andrade que completou 35 anos na segunda-feira) também não foi encontrado. Vanessa foi ferida e está internada no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. Segundo a assessoria da unidade, Vanessa foi submetida a uma cirurgia e seu quadro de saúde é estável.

Um vizinho de Daniela, que preferiu não se identificar, contou que a informação passada aos parentes dá conta de que ela e a amiga sofreram uma tentativa de assalto. Se essa versão for confirmada, pela polícia terá sido o segundo assalto sofrido por Daniela nos últimos dois anos. Em 2017, ela também passou por momentos de pânico durante um assalto próximo do local onde foi morta.

- Ela sofreu outro assalto, mas não foi tão grave. Infelizmente, o governo fica dizendo que a violência diminuiu. Mas, no dia a dia da população, o que a gente vê é o contrário. Está havendo um aumento da violência e dos dois lados, tanto por parte dos policiais como desses bandidos. Ali onde ela morreu é uma região que tem muitos assaltos e o policiamento quase não é visto. O que a população quer é paz, e isso não se consegue só matando, com essa política de combate. É preciso investir em educação e segurança, mas é preciso ter foco na educação e reconhecer que a população precisa de trabalho - desabafou o vizinho que acompanha a família no Instituto Médico-Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo.

O sepultamento do corpo de Daniela será realizado nesta terça-feira no cemitério de Cachoeiras de Macacu, na região serrana do Estado, onde ela nasceu.