‘Agressão’ de Joice, filho 'sheik' e prisão de bolsonaristas: as tretas, micos e os mistérios envolvendo a política brasileira em 2021

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RIO — Com o avanço da pandemia, a ameaça de um golpe contra as instituições democráticas no 7 de Setembro e o início antecipado do debate sobre eleições presidenciais do ano que vem, 2021 foi um período conturbado na política brasileira. Não faltaram trocas de ofensas públicas, rachas em grupos e partidos, além de outras polêmicas que deixaram em ebulição tanto as redes sociais quanto os bastidores de Brasília.

Se o ano começou com vitória para o presidente Jair Bolsonaro, ao conseguir eleger aliados para as presidências da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (à época do DEM, hoje do PSD-MG), logo depois, o mandatário viu aliados serem presos por atentarem contra os ministros do Supremo Tribunal Federal e as instituições democráticas. O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que publicou um vídeo, entre outras ofensas, dizendo que gostaria de ver os ministros da Corte “na rua levando uma surra”, foi o primeiro, em fevereiro. Ele só teve a prisão revogada pelo próprio Supremo este mês. Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, foi outro a parar atrás das grades, após a Polícia Federal ter detectado sua atuação numa espécie de milícia digital que também fazia ataques aos ministros do STF e às instituições.

Eco nas redes

O mesmo ocorreu com Zé Trovão, o líder caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes. Ele se entregou à PF depois de passar dois meses foragido por ter incentivado nas redes ataques antidemocráticos no Dia da Independência. Em comum, os três casos têm o autor da ordem de prisão: o ministro Alexandre de Moraes, alvo da ira de Bolsonaro em seu discurso inflamado no 7 de Setembro, em Brasília e na Avenida Paulista, causando tensão entre os Poderes. Logo, depois, porém, o presidente recuou com uma carta pública — escrita com a ajuda do ex-presidente Michel Temer — pedindo a reconciliação, para revolta de seus apoiadores, que foram às ruas a fim de fechar o Supremo.

Enquanto o país contava seus mortos na pandemia e a CPI da Covid do Senado, com denúncias contra o governo, se encaminhava para o fim, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, posou em outubro vestido de sheik, ao lado da mulher e da filha, numa viagem a Dubai. A imagem viralizou e foi recebida pela oposição como um deboche pela ostentação. As redes também repercutiram uma foto do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello passeando sem máscara num shopping de Manaus, em abril, época em que o Brasil contabilizava uma das médias móveis de óbitos mais altas da pandemia.

Caso de polícia

Já a deputada federal Joice Hasselman (PSDB-SP), alvo de polêmicas desde que rompeu com Bolsonaro, envolveu-se em julho num episódio de suposta agressão que a colocou sob os holofotes. No dia 18, ela acordou em seu apartamento, em Brasília, sobre uma poça de sangue e com fraturas, sem se lembrar do que havia acontecido. A deputada chegou a considerar que teria sido vítima de um atentado. Houve também suspeita nas redes de que o marido poderia tê-la agredido, o que foi negado. Após investigação, a Polícia Civil concluiu que as lesões foram decorrentes de uma queda “da própria altura”.

O ano no bolsonarismo terminou com uma briga entre Allan dos Santos, blogueiro, e Sergio Camargo, presidente da Fundação Palmares. Eles ficaram, respectivamente, a favor e contra uma declaração do ideólogo de direita Olavo de Carvalho, considerado uma espécie de guru do presidente e que afirmou ter se sentido usado por Bolsonaro “para se promover e se eleger”.

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