Agressões e mentira em depoimento de babá levaram a prisão de Dr. Jairinho e mãe de Henry

Paolla Serra
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Além das agressões de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), contra o menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, o depoimento prestado pela babá Thayna de Oliveira Ferreira, de 25 anos, ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), foi um dos fundamentos para o pedido de prisão do vereador e de sua namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, por suspeita de envolvimento na morte do filho dela. A funcionária mentiu ao garantir que a família vivia em harmonia e que nunca havia presenciado nenhuma anormalidade no apartamento onde moravam no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca.

Para a polícia, que já sabe que a criança levava chutes, bandas e pancadas na cabeça do parlamentar com o conhecimento de Monique, a babá poderia estar sendo influenciada pelo casal. Nesta quinta-feira, além da prisão do casal, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Thayná. Eles apreenderam o celular da ex-funcionária do casal.

Na delegacia, às 21h38 do dia 24 de março, Thayná contou que sua mãe, Maria Lucia Helena de Olveira, cuida do sobrinho de Dr. Jairinho (Solidariedade), foi quem indicou seu nome para cuidar de Henry depois que Monique foi morar com o parlamentar. Ela queria uma babá de confiança, e a jovem foi contatada pelo casal. Thayná começou a trabalhar de segunda a sexta-feira a partir do dia 18 de janeiro no apartamento do casal. A babá negou ter presenciado qualquer anormalidade na família, a quem disse ter visto reunida no máximo quatro vezes. Ela contou que costumava dar banho em Henry, e garantiu nunca ter visto qualquer marca de violência em seu corpo. Ela relatou ainda que Monique “se esforçava para agradar o filho de todas as formas e demonstrava carinho com ele”. A babá definiu o menino como 'perfeito', 'uma boa criança' que se 'comunicava bem com ela' e que mantinha um 'relacionamento normal com as outras crianças do condomínio'.

Ainda em seu depoimento, a ela explicou que, pelo Colégio Marista São José, onde o menino estava matriculado no jardim de infância, estar funcionando em sistema híbrido - alternando aulas presenciais e online - variava seu horário de início do trabalho entre 9h e 11h30. Thayna contou também que Monique muitas vezes assistia as aulas junto com Henry, que acompanhava os vídeos de forma tranquila e concentrada, e que nunca demonstrou nenhuma irritação nem inquietação.

A funcionária contou também que Henry lhe fazia algumas perguntas como "por que existe a separação?". Para essa questão, ela diz ter respondido: “Para as pessoa não ficarem brigando, é melhor que se separem.” A babá relatou ainda que, por volta de 9h30 de 8 de março recebeu uma ligação de Monique dizendo que não precisaria ir trabalhar porque "Henry caiu da cama". Ela disse ainda que a mãe comentou também: "Perdi meu bem mais precioso”.

Dez dias depois, Thayna disse ter sido procurada pela irmã de Dr. Jairinho para que fosse a sua casa, já que o advogado do vereador queria lhe fazer algumas perguntas. Ao chegar na residência, ela foi levada por um motorista até o escritório de André França Barreto, junto com a empregada do casal. Segundo a babá, André lhe perguntou como era seu relacionamento com Henry, se o menino era feliz, brincalhão e alegre, como era o relacionamento do casal, como eram os três juntos e se a criança apresentava alguma queixa. Na ocasião, a funcionária diz ter sido avisada pelo advogado de que seria intimada a prestar depoimento, e que deveria “dizer somente a verdade” e “o que havia presenciado”.

O inquérito aponta que menino chegou ao condomínio Majestic, no Cidade Jardim, levado pelo pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, por volta de 19h20 do dia anterior à morte. Monique teria dado banho no filho e o colocado para dormir no quarto que dividia com Jairinho. Por volta de 3h30, quando já tinham pego no sono após assistir uma série na televisão, de acordo com depoimento, a professora e o vereador disseram ter encontrado a criança caído no chão do cômodo, com pés e mãos gelados e olhos revirados.

Eles, então, levaram Henry para a emergência do Hospital Barra D’Or, onde as médicas garantem que Henry já chegou morto e com as lesões descritas nos laudos de necropsia. Os documentos mostram que ele sofreu hemorragia interna e laceração hepática. Seu corpo apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos ouvidos pelo EXTRA afirmam que os ferimentos não são compatíveis com um acidente doméstico.

Ao ser questionada durante seu depoimento, Monique afirmou acreditar que Henry possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão. Também na delegacia, Jairinho contou que, após ouvir os gritos da mulher, caminhou até o quarto, colocou a mão no braço de Henry e notou que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta, parecendo respirar mal.

O vereador disse que acreditou que Henry havia bronco-aspirado, mas seu quadro evoluía mal, já que no caminho para o hospital não respondeu à respiração boca a boca nem aos estímulos feitos por Monique. Jairinho contou que, apesar de ter formação em Medicina, nunca exerceu a profissão e a última massagem cardíaca que realizou foi em um boneco, durante a graduação.

Ao longo deste mês, o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, ouviu 17 testemunhas no inquérito que apura o caso, entre familiares, vizinhos e funcionários do casal. Uma ex-namorada de Jairinho relatou que ela e a filha sofreram agressões por parte do parlamentar. Os celulares e laptops dos dois e de Leniel foram apreendidos e passam por perícias e uma reprodução simulada foi realizada.