Agressor na série ‘Vítimas digitais’, Luis Lobianco desabafa: ‘A homofobia no meu Instagram é recorrente’

Naiara Andrade
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Lobianco em cena com Roberta Santiago: Milton é machista e ciumento com Milena

Machista e ciumento, Milton revela-se também um agressor. Ele ataca, física e verbalmente, a namorada, que dá fim ao relacionamento e o denuncia à polícia. Irado, o rapaz se vinga publicando na internet o vídeo de uma transa dos dois e mexe para sempre com a vida da ex. Quinto episódio da série “Vítimas digitais”, que vai ao ar nesta segunda-feira (dia 2), às 23h30, no canal GNT, “Milena” traz a atriz Roberta Santiago no papel-título e, pasmem, Luis Lobianco interpretando seu algoz.

 

— Gosto muito de fazer papéis diferentes, justamente para não ficar com uma cara só. Estive em “Valentins”, voltado para o público infantil (no Gloob, em 2017); na novela “Segundo sol” (na Globo, em 2018), fiz um baiano; na série “Shippados” (do GloboPlay, neste ano) fui um naturista; e no Buraco da Lacraia (casa noturna na Lapa), tenho um trabalho musical e político, com linguagem de cabaré. Quando recebi o convite do João (João Jardim, criador e diretor de “Vítimas digitais”) para este trabalho, aceitei na hora! — conta Lobianco.

 

O ator de 37 anos considera Milton um de seus “personagens mais indigestos”, justamente por ter reflexos do nosso cotidiano:

— Eu já interpretei vilões, mas sempre no contexto melodramático. Agora, este é muito real, muito próximo da gente. Pode ser um vizinho, um cara por quem você passa na rua... É assustador! E o pior: o discurso dele está aí, sendo fomentado pelo cenário político.

 

Avesso a mandar nudes ou gravar intimidades com o marido, o músico Lúcio Zandonadi, de 42 anos (“Sou do teatro, prefiro o ao vivo”, argumenta, bem-humorado), o artista inverte os papéis da ficção na vida real, assumindo a posição de vítima digital toda vez que é atacado pela internet.

— A homofobia no meu Instagram, única rede social que tenho, é recorrente. De vez em quando, vai um lá no meu perfil e me xinga: “Viado!”, “Que nojo de você!”, “Seu isso, seu aquilo”. Há até pouco tempo, isso não tinha punição, mas agora é considerado crime de racismo. Por isso, diminuiu um pouco a frequência, até porque quem faz é covarde. Mas sempre dói, sabe? Acho que a gente ainda vai levar muito tempo para aprender a lidar com isso... — lamenta Lobianco, que, por outro lado, diz perceber o quanto é querido quando um ataque assim lhe acontece: — Uma agressão dessas vem sempre acompanhada de outros cem comentários positivos, carinhosos, em minha defesa. Mesmo com tantos canalhas por aí, eu ainda acredito na humanidade.