Agronegócio e CNT repudiam bloqueios e pedem liberação de rodovias

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) se manifestaram contra os bloqueios nas rodovias federais promovidos por caminhoneiros que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL) e que protestam contra o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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A FPA pontuou que as paralisações em rodovias impactam diretamente os consumidores brasileiros e representam um risco para o abastecimento da cadeia produtiva do agronegócio. “Fazemos um apelo para que as rodovias sejam liberadas para cargas vivas, ração, ambulâncias e outros produtos de primeira necessidade e/ou perecíveis”, diz em nota.

Já a CNT, que representa as empresas de transporte no Brasil, diz que além de transtornos econômicos, esse tipo de paralisação impacta na locomoção dos brasileiros e no transporte de produtos essenciais, como alimentos, medicamentos e combustíveis.

“A CNT tem convicção de que as autoridades garantirão a circulação de pessoas e de bens por todo o País com segurança, entendendo que qualquer tipo de bloqueio não contribui para as atividades do setor transportador e, consequentemente, para o desenvolvimento do Brasil”, diz a entidade em nota.

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) também repudiou “veementemente o movimento antidemocrático” organizado por caminhoneiros. “Esses grupos, que segundo eles têm apoio de alguns representantes do Agronegócio, estão divulgando a falsa alegação de que essa manifestação é dos caminhoneiros. Importante deixar claro que esse movimento não é organizado pelos trabalhadores. Os caminhoneiros autônomos e celetistas são vítimas desses bloqueios”, diz um trecho.

O número de pontos bloqueados está variando ao longo do dia. O último balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado no fim da tarde desta segunda-feira, apontava para 136 pontos monitorados em 16 estados. Anteriormente, os bloqueios somaram 221 pontos nesses estados.

O estado com mais pontos em monitoramento era Santa Catarina, com 37 bloqueios. No Paraná, que tinha oito interdições e dois bloqueios, um dos trechos parados é que dava acesso ao porto de Paranaguá, importante terminal de escoamento de grãos.

Em nota, a Portos do Paraná informou que o bloqueio ao acesso do terminal começou no início da tarde desta segunda. “Pelo curto período de fechamento das vias, ainda não há reflexo nas operações portuárias”, disse a empresa, que monitora a situação junto à PRF.

Repercussão

Para o deputado federal José Medeiros, do PL de Mato Grosso, que compõe a base aliada do presidente Bolsonaro e chegou a participar de manifestações de caminhoneiros no passado, os movimentos de caminhoneiros desta segunda-feira devem perder força. Segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro deverá vir a público pedir para que os manifestantes aceitem o resultado das eleições e voltem para casa.

— A tendência é isso diminuir. É coisa do calor do momento. Muito provavelmente o presidente vai falar ainda hoje ou amanhã e depois da fala dele isso vai arrefecer. Acho que ele vai agradecer os votos e pedir para o povo voltar para casa — diz Medeiros.

Para ele, que foi policial rodoviário federal por mais de 20 anos, a PRF deixou de agir com mais veemência por falta de respaldo jurídico.

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Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que esteve à frente de paralisações de caminhoneiros em 2018, diz que o movimento desta segunda-feira que bloqueia estradas pelo país não condiz com os interesses da categoria.

— Está claro que é um movimento da extrema-direita, de intervencionistas que pedem intervenção militar, impeachment de ministro do Supremo e fechamento do STF. A pauta é política, não tem nada a ver com as pautas do caminhoneiro. Você não vê, pauta de caminhoneiro não existe ali.

Ele afirma que o que motivou estes bloqueios foi a vitória do Lula.

—Agora é abrir diálogo com o novo presidente e tentar tocar pautas que não andaram durante o governo Bolsonaro, como o marco regulatório da categoria ou o PL 1205 — disse, em referência ao projeto de lei que dispõe sobre o transporte rodoviário de cargas por caminhoneiros autônomos.