'Aha uhu, o Fachin é nosso', comemorou Dellagnol, segundo mensagens

Mensagens reveladas nesta sexta indicam que Deltan comemorou um suposto encontro com o ministro do STF Edson Fachin (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Mensagens reveladas nesta sexta indicam que Deltan comemorou um suposto encontro com o ministro do STF Edson Fachin (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Via Telegram, Deltan comemorou um suposto encontro com o ministro do STF Edson Fachin

  • ‘Aha uhu, o Fachin é nosso’, teria escrito Deltan para seus colegas procuradores do MPF

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) no âmbito da operação Lava Jato, comemorou um encontro com o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo as mensagens reveladas nesta sexta-feira (5) pela revista Veja, em parceria com o The Intercept Brasil, Deltan revelou a seus colegas de MPF, via Telegram, que conversou com Fachin e vibrou com o tom do bate-papo.

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“Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”, celebrou Deltan, em 13 de julho de 2015, segundo a Veja.

Outro ponto festejado por Dallagnol, desta vez em um diálogo com Moro, foi a proximidade da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 14 de dezembro de 2016, Dallagnol escreve ao ex-juiz para contar que a denúncia de Lula seria protocolada em breve, e ressalta que a do ex-governador do Rio Sérgio Cabral já seria registrada no dia seguinte.

Moro responde com um emoticon de felicidade, ao lado da frase: “um bom dia afinal”.

NOVO VAZAMENTO

Novos diálogos revelados nesta sexta-feira (5) pela revista Veja, em parceria com o The Intercept Brasil, apontam que o atual ministro da Justiça orientou procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato a incluir provas na peça de acusação elaborada pelo MPF (Ministério Público Federal).

As mensagens também indicam que o magistrado pautou, enquanto juiz federal, datas para realizações de pelo menos duas operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem.

Iniciada dia 9 de junho pelo The Intercept Brasil, a série de revelações de conversas mantidas com procuradores através do aplicativo Telegram aponta supostas interferências de Moro nas investigações da Lava Jato e colocou em xeque a parcialidade do magistrado na condução dos processos.

OUTRO LADO

Procurados pela revista Veja, Dalla­gnol e Moro alegaram terem compromissos de agenda e não quiseram receber a reportagem pessoalmente, uma condição estabelecida por Veja. Eles solicitaram que os arquivos fossem enviados a eles de forma virtual.

Mesmo sem saber o conteúdo das mensagens, a assessoria do Ministério da Justiça enviou a seguinte nota: “A revista Veja se recusou a enviar previamente as informações publicadas na reportagem, não sendo possível manifestação a respeito do assunto tratado. Mesmo assim, cabe ressaltar que o ministro da Justiça e Segurança Pública não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente e que configuram violação da privacidade de agentes da lei com o objetivo de anular condenações criminais e impedir novas investigações. Reitera-­se que o ministro sempre pautou sua atuação pela legalidade”.

Entenda o caso das mensagens vazadas pelo ‘Intercept’

A série de reportagens do ‘Intercept’ começou no dia 9 de junho, um domingo. Na primeira leva de matérias, o site divulgou uma série de mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol.

Nessa primeira leva, as acusações contra Moro ficaram por conta de um suposto direcionamento que ele dá para a Lava Jato internamente. Entre outros, o portal apresenta mensagens que mostrariam que Dallagnol duvidada de provas contra Lula, além de colaboração proibida do então juiz com o procurador.

Mais tarde, em 14 de junho, o ‘Intercept’ seguiu suas publicações com mais material contra Moro. Nas novas mensagens divulgadas, há um diálogo horas depois do primeiro depoimento prestado por Lula à Lava Jato.

Neste diálogo, Moro teria proposto ao Ministério Público a publicação de uma nota à imprensa. Nela, haveria conteúdo que esclarecesse o que Moro chama de “contradições” do ex-presidente, no que ele se refere como um “showzinho” da imprensa.

“Vem muito mais por aí”

Em entrevista exclusiva ao Yahoo, o jornalista Glenn Greenwald afirmou que os conteúdos divulgados até então eram “apenas o começo”.

Moro não pode dizer que a reputação dele foi destruída. Mas a aprovação dele caiu dez pontos e ainda vem muito mais coisa por aí, a máscara dele [Moro] vai ser derrubada”, afirmou o jornalista na oportunidade.

Defesa apelou, mas STF manteve Lula preso

Houve a percepção, por parte da defesa do ex-presidente, de que as mensagens divulgadas pelo ‘Intercept’ poderiam ajudar a tirá-lo da cadeia.

O STF decidiu, então, julgar dois habeas corpus pedidos pela defesa de Lula, sendo um deles relativo a Moro e que havia tido sua votação suspensa após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Foi o próprio Gilmar que, no início deste novo julgamento, na terça (25), pediu que os ministros considerassem a hipótese de, em caso do HC relativo às acusações contra Moro não fosse julgado, o ex-presidente pudesse esperar o julgamento terminar em liberdade.

Os ministros adiaram a votação do HC por entenderem que a série de mensagens ainda não havia terminado e, com isso, não se podia a chegar a nenhuma conclusão sobre possível uso da Lava Jato por parte de Moro contra Lula. Negaram, no entanto, a liberdade proposta por Gilmar e também pela defesa.

Greenwald foi à Câmara e reiterou que Moro chefiava Lava Jato

Na mesma terça (25) em que a defesa de Lula apelava pela liberdade do ex-presidente no STF, Greenwald esteve na Câmara dos Deputados para responder perguntas dos congressistas.

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o jornalista a autenticidade do material recebido de uma fonte anônima, fazendo questão de confirmar novamente a autenticidade do material.

"O material já mostrou e vai continuar mostrando que Moro era o chefe da força-tarefa da Lava Jato, que era o chefe dos procuradores. Ele [Moro] está o tempo todo mandando o que os procuradores deveriam fazer e depois entrando no tribunal e fingindo que era neutro. Já mostramos isso, mas vai ter muito mais material ainda", declarou o jornalista no dia.

A audiência pública na Câmara dos Deputados teve a presença principalmente de parlamentares da oposição.

Uma das poucas aliadas de Moro que falaram foi a deputada Policial Katia Sastre (PL-SP), que disse que Greenwald deveria ser preso. "Quem deveria ser julgado e condenado e sair daqui preso é o jornalista, que em conjunto com o hacker cometeu crime", disse a parlamentar.