Ai de ti, Copacabana: uma pessoa é alvo de ladrões por hora no bairro, que vive explosão de furtos

Se você decidir, ao terminar de ler esta reportagem, fazer uma caminhada de ida e volta, a passos acelerados, pela orla de Copacabana, provavelmente vai levar cerca de uma hora para terminar o trajeto. O mesmo período de tempo, porém, ilustra uma estatística que em nada condiz com o belo visual de um dos mais famosos cartões postais do país. A cada 53 minutos, em média, uma pessoa tem um pertence tomado por criminosos no bairro, seja vítima de roubo ou furto, como mostram os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) para março último.

A área atendida pelo 19º BPM (Copacabana), que abrange também o Leme, computou 109 roubos e 737 furtos no mês passado. É justamente a explosão desta segunda modalidade de crime que mais chama a atenção nas estatísticas: o aumento, na comparação com março de 2021, foi de 167%, levando o indicador ao segundo maior patamar da série histórica, iniciada há duas décadas. Além disso, só um dos 39 batalhões da PM fluminense — o 5º BPM, no Centro — registrou aceleração maior na incidência de furtos.

O número de roubos, contudo, também ajuda a dar o tom do cenário no bairro. Enquanto no estado, de modo geral, assaltos de todo o tipo vêm apresentando sucessivas quedas, a área do 19º BPM seguiu na contramão, registrando alta de 36,3% entre um março e outro.

A guinada nos crimes reflete-se na percepção dos moradores, com ruas cada vez mais vazias à noite, e também em imagens captadas pelas câmeras de segurança do bairro. Alguns flagrantes impressionam pela naturalidade com a qual itens dos mais improváveis são levados pelos bandidos.

Um compilado feito pelo portal G1 traz algumas dessas cenas. Em uma delas, um homem escala a grade de um prédio na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, principal via do bairro, para furtar os caracteres do letreiro. Em outra, dois ladrões desaparafusam um ponto de ônibus na Rua Barata Ribeiro e deixam o local calmamente, levando a estrutura metálica. Segundo as autoridades, esses materiais acabam, de modo geral, sendo trocados por drogas.

— A gente vê um aumento muito grande no número de pessoas em situação de rua e de dependentes quimícos pelo bairro. É claro que nem todos cometem crimes, mas temos uma onda de furtos de material metálico de toda a ordem: hidrômetro, letreiro, fiação — relata Horácio Magalhães, presidente e membro há 23 anos da Socidade Amigos de Copacabana (SAC).

Os ataques, entretanto, também abrangem bens mais tradicionais, como os celulares — foram 208 aparelhos tomados pelas ruas do bairro em março, entre roubos e furtos, numa média de quase sete vítimas por dia. Outro item visado são as bicicletas, com 31 ocorrências de furto ao longo do mês, o equivalente a exatamente uma ocorrência diária. Em outro flagrante publicado pelo G1, registrado no último domingo, um homem aparece entrando na garagem de um prédio na Barata Ribeiro, pegando um bicicleta elétrica encostada no local e ganhando até a ajuda de um entregador, que segura a porta, antes de fugir com o veículo.

A criminalidade desenfreada foi o principal tema tratado na mais recente reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CCS) de Copacabana, na última terça-feira, na sede do 19º BPM. Participam desses encontros representantes do batalhão e das duas delegacias da área, bem como da sociedade civil, como o próprio Horácio:

— Outro dia passei às 23h de uma sexta-feira pela Nossa Senhora e ela estava às moscas. Só tinha entregador, um ou outro pedestre e a população de rua. Esse quadro está afetando a rotina do bairro — lamenta o presidente da SAC.

Procurada, a PM informou que passou a reforçar, desde ontem, o patrulhamento na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Barata Ribeiro. A corporação promete ainda ações preventivas, recolhendo “objetos que possam ser usados como arma branca e para o furto de equipamentos urbanos”. A Polícia Civil não se manifestou.

Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela Polícia Militar:

"Nesta quinta-feira (28/04), um comboio formado por equipes do 19ºBPM (Copacabana), de unidades subordinadas à Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e com apoio do programa Segurança Presente iniciou reforço policial na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Uma ação de policiamento preventivo foi realizada nesta tarde para recolher objetos que possam ser usados como arma branca e para o furto de equipamentos urbanos.

O realinhamento do policiamento nas duas principais vias de Copacabana para intensificar a prevenção e o combate aos furtos que estão ocorrendo no bairro é uma determinação do Secretário de Estado de Polícia Militar.

Além do policiamento intensificado, o 19°BPM realizará reuniões com porteiros de prédios e representantes de condomínios para buscar soluções de segurança para o bairro."

Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela Polícia Civil:

"Todos os casos registrados nas delegacias de cada região são investigados pelas unidades distritais, com apoio de delegacias especializadas. A Polícia Civil atua com foco na prisão dos furtadores e investigações relacionadas aos receptadores dos materiais, buscando desmantelar toda a cadeia criminosa."

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