Aids: veja sintomas, causas e tratamento

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RIO — Quando foi descoberta, no início dos anos 1980, a Aids, causada pelo vírus HIV, provocou pânico porque, naquela época, o diagnóstico era considerado quase uma sentença de morte. Os pacientes eram vítimas de muito preconceito, principalmente porque a maior parte da população desconhecia as formas de transmissão e prevenção. Desde então, porém, o tratamento de doentes evoluiu muito, graças a seguidos avanços da ciência. Hoje, muitas pessoas infectadas pelo vírus e com acesso aos medicamentos adequados pode viver longamente e sem complicações.

Qual a diferença entre HIV e Aids?

HIV é a sigla em inglês para o vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids, que, por sua vez, é a sigla em inglês para a síndrome da imunodeficiência adquirida.

Como é a transmissão do vírus?

O HIV pode ser transmitido por meio de secreções como sangue, esperma, secreção vaginal ou leite materno de uma pessoa contaminada. As principais formas de transmissão são:

Sexo sem preservativo: Durante a gravidez e parto:Durante a amamentação;Partilha de seringas infectadas;Contato direto com sangue de uma pessoa soropositiva

Importante ressaltar que o HIV não pode ser transmitido por meio de picadas de insetos, aperto de mão, lágrimas, suor, saliva, contato social, abraços, beijos ou o compartilhamento de objetos como toalhas, sabonetes, talheres, copos, assentos. É fundamental o apoio à pessoa portadora do vírus.

Quais são os principais sintomas da Aids/HIV?

Os sintomas mais persistentes são: fraqueza, febre e perda de peso, diarreia prolongada e infecções mais graves, causadas por agentes que usualmente não provocam doenças em um organismo com o sistema imunológico não debilitado.

A chamada fase aguda da infecção ocorre após o contato com o vírus, desenvolvendo um quadro semelhante à gripe e que dura cerca de quatro semanas. Nem todos os pacientes apresentam esses sintomas. É nesse período que o vírus realiza multiplicações rápidas no organismo, levando a uma quantidade alta de HIV no sangue.

A infecção pelo vírus pode evoluir sem sintomas durante anos, mesmo sem tratamento, e, em 1% dos portadores, pode não se manifestar. No entanto, segundo o médico Marco Vitória, coordenador da área de tratamento do Departamento de HIV e Hepatites Virais da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença acaba progredindo na maioria dos casos, à medida que a disfunção imunológica fica mais intensa (observada pela redução da contagem de um tipo de célula no sangue, a CD4+).

O que são as infecções “oportunistas”?

São chamadas de “oportunistas” as infecções que aparecem com frequência em pessoas já contaminadas pelo HIV, principalmente quando esses indivíduos apresentam um grau de imunodeficiência avançado. São elas: pneumonias, meningites, retinites e diarreias crônicas. Também são típicos cânceres como linfoma e Sarcoma de Kaposi. Além disso, infecções cutâneas, orofaríngeas e da região anogenital também ocorrem com frequência, como candidíase, herpes e HPV.

Como evitar o HIV?

Segundo o Ministério da Saúde, para evitar a contaminação é fundamental:

Fazer o uso de camisinha masculina ou feminina nas relações sexuais;Nunca partilhar seringas usadas;Evitar o contato com sangue e outras secreções contaminadas;Tratar o quanto antes quaisquer doenças sexualmente transmissíveis.

Quais são os tratamentos para a Aids/HIV?

O tratamento da infecção pelo HIV é feito com o uso de medicamentos que atuam sobre o ciclo reprodutivo do vírus. Tais drogas são chamadas de antirretrovirais. Segundo Marco Vitoria, atualmente se recomenda o uso combinado de duas ou três medicações diferentes para potencializar o efeito antiviral e reduzir o risco de resistência do vírus.

— Hoje, esses medicamentos são bem menos tóxicos do que aqueles utilizados anos atrás. Além disso, são disponibilizados de forma combinada e em uma única cápsula ou tablete, tomado em uma dose por dia — explica. — Existem tratamentos em avaliação que utilizam essas combinações de forma injetável, cuja dose pode ser aplicada a cada um a dois meses. A perspectiva para os próximos anos é que novas drogas em estudo sejam ainda mais potentes e possam ser usadas por via subcutânea, tomadas a cada três a seis meses.

É importante lembrar que o tratamento para pessoas infectadas pelo vírus não deve ser interrompido, uma vez que isso favorece a replicação do HIV no organismo.

O que são PEP e PrEP?

Profilaxia pós-exposição (PEP) é o tratamento com drogas antirretrovirais recomendado a pessoas que foram expostas ao vírus e, portanto, podem ter sido contaminadas. O tratamento deve ser iniciado até 48 horas após a exposição e precisa ser mantido por um curto período de tempo, geralmente quatro semanas.

O Ministério da Saúde recomenda o uso da PEP em casos como:

Violência sexual;Relação sexual desprotegida;Acidente ocupacional.

Já profilaxia pré-exposição (PrEP) é o tratamento para pessoas que não têm diagnóstico de HIV+, mas que experimentaram algum risco de exposição ao vírus. Ao contrário da PEP, a PrEP não é uma profilaxia de emergência e é recomendada pelo Ministério da Saúde para grupos prioritários, que concentram o maior número de casos de HIV no Brasil:

Homossexuais e homens que fazem sexo com outros homens (HSH);Pessoas trans;Trabalhadores do sexo;Parcerias sorodiferentes (quando uma pessoa é infectada pelo HIV, mas o parceiro não está).

O Ministério da Saúde indica a PrEP para pessoas que:

Frequentemente deixam de usar preservativos em relações sexuais;Têm relações sexuais, sem camisinha, com alguém HIV+ sem tratamento;Fazem uso repetido da PEP;Apresentam episódios frequentes de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis)..

Existe cura?

Até o momento, não há previsões para uma cura, apesar dos inúmeros estudos mais recentes e animadores. No entanto, os avanços nas terapias antirretrovirais (ARTs) têm prolongado significativamente a vida de pessoas infectadas pelo HIV, o que diminui as chances de transmissão da doença.

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Referências:

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