AIEA diz que supervisão do programa nuclear iraniano está prejudicada

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(Arquivo) O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi (AFP/JOE KLAMAR)

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) criticou a falta de cooperação do Irã, que dificulta seus esforços para controlar o programa nuclear iraniano, de acordo com um relatório consultado nesta terça-feira (7) pela AFP.

"Desde fevereiro de 2021, as atividades de monitoramento e controle foram seriamente prejudicadas pela decisão" das autoridades iranianas de limitar as inspeções, assegura a agência da ONU em seu relatório.

O Conselho de Governadores da AIEA discutirá este documento na próxima semana em uma reunião realizada em um momento em que o acordo nuclear de 2015 está praticamente morto.

Teerã havia concordado que a AIEA continuasse monitorando suas atividades nucleares, mas esse acordo expirou em 24 de junho e as autoridades iranianas ignoraram os novos pedidos da AIEA.

Rafael Grossi, diretor-geral da agência, disse estar disposto a viajar ao Irã "para se reunir com membros do novo governo e discutir esse problema", segundo o relatório. Mas esta viagem ainda não aconteceu.

A capacidade técnica da AIEA para supervisionar o programa nuclear iraniano foi "muito comprometida" e "sua confiança reduz com o passar do tempo", acrescenta a agência, que pede a Teerã que "retifique imediatamente" a situação.

Em um dos locais, uma das câmaras da AIEA foi destruída e outra gravemente danificada após um incidente.

Nos últimos meses, o Irã aumentou significativamente suas reservas de urânio altamente enriquecido para níveis bem acima do limite de 3,67% estabelecido pelo acordo de 2015.

As reservas de urânio enriquecido a 60% aumentaram de 2,4 kg em maio para 10 kg no final de agosto, enquanto o urânio a 20% aumentou de 62,8 kg para 84,3, de acordo com estimativas da AIEA.

A agência da ONU também denunciou em outro relatório a presença de quatro usinas, nas quais foram encontrados materiais nucleares, em locais não declarados. O Irã também não esclareceu esse fato apesar de ter sido avisado "há dois anos", lamenta a AIEA.

Teerã começou a violar o acordo internacional em 2019, após a saída unilateral dos Estados Unidos, decretada um ano antes pelo então presidente Donald Trump.

Joe Biden, seu sucessor na Casa Branca, expressou sua disposição em retornar ao acordo internacional, que busca impedir que a República Islâmica se dote de armas atômicas em troca do levantamento das sanções.

A União Europeia iniciou discussões em abril para tentar fazer com que os Estados Unidos voltassem a aderir ao acordo em troca do levantamento parcial das sanções americanas.

Mas essas negociações foram interrompidas em 20 de junho, dois dias após a vitória do novo presidente iraniano, o ultraconservador Ebrahim Raisi.

Desde então, nenhuma data foi anunciada para retomar as negociações, apesar da insistência das delegações ocidentais.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Hossein Amir Abdolahian, deu a entender no final de agosto que elas não seriam retomadas por dois ou três meses.

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