AIEA encontra 'solução temporária' para manter inspeções nucleares no Irã

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Negociação

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, anunciou neste domingo (21) que encontrou com o Irã uma "solução temporária" de três meses para manter uma vigilância "satisfatória" e limitar o alcance do programa nuclear iraniano, embora as inspeções fiquem limitadas a partir de terça-feira.

O parlamento iraniano, dominado pelos conservadores, aprovou uma lei em dezembro para restringir as inspeções nucleares no país enquanto os Estados Unidos não suspenderem suas sanções. A norma entra em vigor na terça-feira.

"Esta lei existe e será aplicada, o que significa que o Protocolo Adicional, com meu grande pesar, será suspenso”, disse Grossi em uma breve entrevista coletiva em Viena, onde está sediada a AIEA, em referência a um dos acordos alcançados pelo Irã e pela agência da ONU que rege as inspeções.

"O acesso será reduzido, não se engane, mas seremos capazes de manter o nível necessário de vigilância e verificação", explicou Grossi. "Isso salva a situação imediata", acrescentou.

Grossi não forneceu detalhes sobre quais atividades a AIEA terá que interromper, mas confirmou que o número de inspetores destacados no Irã seria mantido e que as inspeções aleatórias poderiam continuar sob este acordo temporário.

No entanto, o novo contrato estará sujeito a revisão constante e pode ser suspenso a qualquer momento.

As declarações do diretor da AIEA chegam após dois dias de reuniões em Teerã, onde se encontrou com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, e com o chefe da Organização de Energia Atômica Iraniana, Ali Akbar Salehi.

"Consideramos grave a situação, mas a AIEA continua a servir a comunidade internacional", enfatizou Grossi. "É claro que para alcançar uma situação estável será preciso uma negociação política, e isso não depende de mim."

Após a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo sobre o programa nuclear iraniano e o restabelecimento das sanções contra a República Islâmica, Teerã foi gradativamente deixando de cumprir os compromissos que havia assumido em 2015 no texto assinado com EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China.

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