AIEA volta a pedir ao Irã 'cooperação imediata'

O diretor da AIEA Rafael Mariano Grossi

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, pediu novamente ao Irã nesta segunda-feira que dê aos inspetores acesso a dois locais suspeitos de abrigar atividades nucleares não declaradas.

"Peço ao Irã que coopere imediatamente e totalmente com a agência, inclusive fornecendo acesso rápido aos locais especificados", disse Grossi na abertura do Conselho de Governadores da AIEA em Viena.

Em janeiro, Teerã recusou as inspeções em dois locais que a AIEA queria verificar. Esses locais não têm relação com as atividades atuais do Irã, mas estão relacionados aos projetos nucleares militares do país nos anos 2000, segundo várias fontes diplomáticas.

Essa "recusa prejudica a capacidade da agência (...) de fornecer garantia credível da ausência de material e atividades nucleares não declaradas no Irã", acrescentou Grossi perante o órgão de decisão da AIEA, que realiza sua reunião trimestral esta semana.

"Espero que, por meio do diálogo com o Irã, possamos desbloquear a situação atual nos próximos dias ou horas", acrescentou o chefe da agência.

O regime iraniano estima que não deve mais explicações sobre suas ações relativas aos anos anteriores à assinatura do acordo nuclear de 2015, hoje ameaçado de completa desintegração. Teerã acusa a AIEA de fazer essas alegações sob pressão de Israel e dos Estados Unidos, que fabricam "informações falsas".

Grossi negou essas acusações, reafirmando a independência da AIEA: "Trata-se de informações da agência. As informações podem vir de várias fontes, temos nossas próprias informações, (...) nunca tratamos nenhuma informação ao pé da letra".

É provável que essas novas tensões fortaleçam a posição de uma linha dura em relação ao Irã, em particular em Washington.

Sobre as suas atividades nucleares atuais, o Irã colabora sem dificuldades com os inspetores da AIEA, que têm acesso a todos os locais necessários.

A prevalência do novo coronavírus no Irã, um dos países mais afetados pela epidemia, não teve grande impacto no regime de verificação, segundo Grossi.

"O trabalho de inspeção no Irã continua sem problemas até hoje", disse ele, acrescentando que medidas de precaução foram tomadas.

Desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do acordo nuclear iraniano em 2018 e impuseram sanções que estrangulam a economia iraniana, Teerã se liberou em vários compromissos a partir de maio de 2019.

Como última fase desse desligamento, o Irã anunciou em 5 de janeiro que seu programa nuclear não estaria mais "sujeito a nenhuma restrição operacional".

"Até o momento, a agência não viu nenhuma mudança" após o anúncio, disse Grossi na segunda-feira.