Ainda com surto de sarampo, Rio realiza neste sábado mais um 'Dia D' para vacinação

Vacinação contra o sarampo: pessoas entre 6 meses e 59 anos devem procurar postos de saúde

RIO — A preocupação com o aumento do número de casos de sarampo no Estado do Rio de Janeiro, que já enfrenta um surto da doença, levou a Secretaria Estadual de Saúde a promover, neste sábado, mais um Dia D de vacinação contra a doença.

Conforme balanço divulgado nesta quinta-feira, 196 pessoas foram infectadas nos primeiros meses de 2020. Em todo o ano de 2019, foram registrados 457 casos da doença no Estado. Na capital, 90 casos já foram confirmados, contra 114 em todo o ano passado.

De acordo com o último levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde (até o dia 8 de fevereiro), o Estado do Rio está em segundo lugar com o maior número de casos. Encabeçando a lista, continua São Paulo (246), estado que enfrentou uma epidemia em 2019. Este ano, ocorreram três mortes no país: São Paulo, Rio de Janeiro e Rondônia.

A Campanha Nacional de Vacinação com foco na população de 5 a 19 anos termina no dia 13 de março. Dados preliminares apontam que, entre 10 de fevereiro, quando a ação teve início, até 2 de março, foram vacinadas 28.783 pessoas nessa faixa etária.

O Ministério da Saúde ressalta que esse é o número informado, até o momento, pelas secretarias estaduais. Nesta terceira etapa, a meta é vacinar 3 milhões de pessoas.

Desde o início da campanha, em janeiro, até o dia 2 de março, 99,6 mil pessoas receberam a vacina. A principal medida de prevenção e controle do sarampo é a vacinação, disponível durante todo o ano nos 42 mil postos de saúde do país.

Para viabilizar a campanha, além das demandas de rotina, o Ministério da Saúde enviou neste ano 3,9 milhões de doses da vacina, 9% a mais que o solicitado pelos estados.

No Estado do Rio, pessoas de 6 meses a 59 anos foram vacinadas neste ano. Em janeiro, o estado registrou a primeira morte pela doença após 20 anos: um bebê de 8 meses, que vivia num abrigo em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, morreu após a infecção.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou a administração estadual e disse que o estado tinha sido bastante alertado sobre a possibilidade de ocorrer uma epidemia.

Capital fluminense

Na capital, 500 mil pessoas, foram vacinadas (quase o total do Estado do Rio, 515 mil pessoas). A cidade tem 90 casos confirmados e investiga outros 468 casos suspeitos. A meta é atingir 2 milhões de habitantes. Ou seja, em 23 dias, o município conseguiu imunizar 25% do público-alvo. O ideal é que o índice ultrapasse os 95%.

Neste sábado, a Secretaria municipal de Saúde realiza o terceiro Dia D com o objetivo de intensificar a cobertura vacinal.

A intensificação da vacinação, segundo Nadja Greffe, chefe de imunização do município, tem seguido uma estratégia que inclui a montagem de postos extras fora das unidades de saúde da rede, onde a vacina é oferecida no dia a dia.

Cerca de 50 postos extras por semana têm sido montados em locais de grande circulação de pessoas, como estações de metrô, escolas, universidades, supermercados, entre outros.

— Estamos firmando uma série de parcerias com objetivo de chegar à população jovem adulta. Fazemos ainda a vacinação de bloqueio. Quando qualquer caso é registrado em uma empresa, por exemplo, realizamos a imunização dos funcionários. Somente nesse tipo de atividade já vacinamos 6.700 pessoas — explicou a chefe da imunização.

Nadja Greffe ressaltou que dois grupos causam preocupação às autoridades de saúde. A taxa de incidência entre crianças de 1 ano e 5 anos é de quase 14,7 a cada 100 mil habitantes. Já na faixa de 15 a 29 anos, a incidência é de 6,5 a cada 100 mil habitantes.