Ainda defasada, Petrobras sobe mais de 12% após tombo

JÚLIA MOURA
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*ARQUIVO* Rio de Janeiro (RJ), 21/01/2020 - Sede Petrobras. (Foto: Lucas Tavares/Folhapress)
*ARQUIVO* Rio de Janeiro (RJ), 21/01/2020 - Sede Petrobras. (Foto: Lucas Tavares/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Petrobras recuperou R$ 28,98 bilhões dos R$ 102,5 bilhões em valor de mercado perdidos com a interferência de Jair Bolsonaro (sem partido) na estatal.

Nesta terça-feira (23), as ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras subiram 12,17%, a R$ 24,06 cada, após caírem 21,51% na segunda (22). As ordinárias (com direito a voto) tiveram alta de 8,96%, a R$ 23,48.

"As sinalizações são que essa é uma intervenção pontual, sem intervenções no conselho e na diretoria da empresa, até mesmo pelo respaldo estatutário da Petrobras, que não permite que essas ações sejam feitas", diz Henrique Esteter, analista da Guide Invetimentos.

Segundo analistas, a valorização também é fruto da compra das ações por parte de invetidores que veem uma boa oportunidade no atual preço da companhia.

Na Bolsa de Nova York, as ADRs (certificados de ações negociados nos Estados Unidos) da Petrobras fecharam em alta de 6,68%, a US$ 8,47, após tombarem 21% na véspera.

De acordo com especialistas, porém, ainda é cedo para avaliar o investimento na estatal, já que deve haver uma troca no seu comando, com a provável posse do general Joaquim Silva e Luna, e ainda restam dúvidas no mercado com relação à política de preços da Petrobras.

A CVM abriu dois processos contra a Petrobras na esteira do imbróglio causado pelo anúncio de troca no comando. A Justiça Federal de Minas Gerais pediu explicações de Bolsonaro e da companhia no prazo de 72 horas.

Nesta terça, Bolsonaro procurou tranquilizar investidores ao afagar o ministro Paulo Guedes (Economia) ao dizer que não quer brigar com a petroleira.

O governo também estuda reduzir o impacto do aumento dos preços dos combustíveis sem interferir na política da Petrobras com a criação de um "voucher caminhoneiro".

O avanço na privatização da Eletrobras também tranquilizou o mercado. As ações da empresa saltaram após a agência de notícias Reuters informar que governo publicaria ainda nesta terça uma medida provisória associada a seus planos de privatização da elétrica federal.

Mais tarde, a Presidência do Senado comunicou que a MP será entregue às 19h30 desta terça em ato simbólico no Congresso Nacional.

A MP deve permitir que o BNDES inicie estudos sobre a desestatização da companhia e sua publicação vem após notícias recentes que geraram preocupação entre investidores quanto à viabilidade política da transação.

Os novos presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sinalizaram, antes de serem eleitos em 1° de fevereiro, que a privatização da Eletrobras não seria uma prioridade para o Congresso em suas gestões.

Isso levou o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., a anunciar que deixará a companhia em meados de março para assumir o comando da BR Distribuidora. Ferreira disse que a decisão veio após notar "falta de tração" da desestatização junto aos parlamentares.

Nos últimos dias, a indicação por Bolsonaro de Silva e Luna para a Petrobras e uma afirmação do presidente no sábado (20) de que o governo vai "meter o dedo" no setor elétrico tinham ajudado a reduzir expectativas no mercado quanto à privatização.

Com o avanço da venda da estatal, as ações ordinárias da Eletrobras fecharam em alta de 13,01%, a R$ 32,67.

Outra estatal que ensaiou uma recuperação na sessão foi o Banco do Brasil, com alta de 5,55%, a R$ 30,43.

Na véspera, o papel tombou 11,64% com temores de ingerência do governo no banco e saída do presidente André Brandão.

Também em recuperação, a ação do Itaú saltou 6,40%, a R$ 27,25.

A Sabesp, do governo paulista, que havia recuado 4,25% na véspera, subiu 1%, a R$ 37,98.

A Telebras, outra estatal, teve alta de 4,31%, a R$ 28,30 cada ação preferencial, após cair 3,14%.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, foi impulsionado pela recuperação dos papéis da Petrobras e de bancos e fechou em alta de 2,27%, a 115.227 pontos.

Após subir 12,37% na véspera, o risco-país medido pelo CDS de cinco anos operava em queda de 3,22% a 177 pontos, perto do fechamento do índice, por volta de 19h30.

O CDS funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias, especialmente as emergentes. Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país, se ele cai, o recado é o inverso: sinaliza aumento da confiança em relação à capacidade de o país saldar suas dívidas.

No Ibovespa, a maior alta do pregão de segunda foi a maior queda nesta terça. A Lojas Americanas recuou 5,95% após saltar quase 20%, na esteira do anúncio de que a varejista e a sua controlada B2W estão avaliando uma combinação de suas operações. B2W recuou 4,2%.

O dólar fechou em leve queda de 0,22%, a R$ 5,4420. O turismo está a R$ 5,6030.

Em Nova York, o índice S&P 500 subiu 0,13%. Dow Jones teve leve alta de 0,05 e Nasdaq caiu 0,50%.